Editorial

Luta contra a poliomielite

Faz pouco mais de três décadas que nossas crianças deixaram de ser ameaçadas pela poliomielite, uma doença contagiosa e infecciosa cuja transmissão pode se dar através de água e alimentos contaminados ou por contato com uma pessoa infectada. Também conhecida como paralisia infantil, era recorrente num período recente da história do país, mas foi erradicada graças à vacinação, que é a responsável por salvar vidas e propiciar uma existência feliz para muitos menores que se tornaram adultos sadios e livres das limitações físicas que esse mal pode impor, como dor nas articulações e enrijecimento dos membros inferiores e superiores.
Essa erradicação, contudo, não é algo que se possa ter como irreversível e, por isso, é preciso trabalhar cotidianamente por essa conquista. É por isso que as autoridades de saúde e as famílias têm de estar em plena sintonia para continuar esse trabalho exitoso que nem sempre é feito sem percalços. Cada campanha de vacinação é um desafio para toda a coletividade, que tem a obrigação de garantir o bem-estar de nossos infantes. Nesse sentido, assume grande importância o lançamento da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que teve início nesta segunda-feira e se estenderá até 14 de junho, tendo seu pico no dia 8 de junho, que será o Dia D da mobilização nacional. O Ministério da Saúde tem como meta a imunização de, no mínimo, 95% do público-alvo, o que engloba cerca de 13 milhões de crianças com menos de cinco anos. A expectativa da campanha é universalizar a vacinação, algo que anda mais distante nos últimos anos, uma vez que que os índices já foram melhores em outros tempos. Apesar de não registrar casos de poliomielite desde 1989 e ter, cinco anos depois, em 1994, recebido a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem, em 2023, o Brasil recebeu a classificação de alto risco para sua reintrodução, avaliação feita pela Comissão Regional para a Certificação da Erradicação da Poliomielite na Região das Américas (RCC). Esse fato deve servir de alerta para que as ações do SUS sejam otimizadas visando manter o quadro atual de ausência dessa chaga no território nacional.
Para que persista esse êxito tão caro para o país, é necessário que os pais e responsáveis não negligenciem nos cuidados com seus filhos. Apesar da desinformação que grassa na sociedade a respeito das vacinas, atacando a ciência e suas conquistas, é preciso desconsiderar os boatos e garantir a proteção dos infantes. Não podemos perder por omissão os avanços que tivemos diante dessa chaga tão invasiva, perigosa e, por vezes, até letal.