Editorial

Mais apoio aos moradores de rua

A questão dos moradores de rua demanda políticas públicas eficientes para que se garanta a sobrevivência deles num primeiro momento e depois se busque a inclusão social e o resgate de sua autoestima e a cidadania.

É difícil que se tenha um número mais certo, mas algumas estimativas dão conta de que temos cerca de 300 mil pessoas morando nas ruas do país, com incremento constante desse montante. Trata-se de uma questão social de monta a ser equacionada. As causas que estão na base do surgimento desse contingente vulnerável são as mais variadas, incluindo o vício nas drogas, a crise econômica, a desestruturação familiar, a falta de perspectivas na vida pessoal, o desemprego, a baixa qualificação escolar, entre muitos outras, com cada uma delas acrescentando um ingrediente de agravamento da situação desses brasileiros e brasileiras. 

Em seu cotidiano, esse segmento está sujeito a todo tipo de adversidades, como a fome, as doenças, o frio, os riscos à sua integridade física e psicológica. Perdem sua identidade e sua autoestima, tornando-se invisíveis para boa parte da sociedade. Contudo, por uma questão de justiça, diga-se que há um número considerável de pessoas, envolvendo voluntários e servidores de órgãos públicos, realizando um serviço imprescindível de fornecimentos de itens básicos, como alimentação e água, e fazendo abordagens para que esse público aporte em lugares mais apropriados mantidos pelas estruturas municipais, como no caso de albergues.

Agora, todo esse considerável e meritório trabalho desenvolvido majoritariamente pelas prefeituras e pelos estados está em vias de receber um oportuno reforço do governo federal. Dentro da Operação Inverno Acolhedor 2023, serão destinados recursos federais para mitigar esse panorama das ruas, principalmente por conta do inverno. Os valores serão remetidos mediante convênios entre as prefeituras e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Espera-se que haja celeridade nas tratativas para que se tenha um atendimento mais eficiente para esses necessitados sujeitos a todo tipo de intempérie pelas vias públicas do país. Primeiro, que se atente para a sobrevivência deles e, depois, para o resgate de sua cidadania.