Editorial

Mais de 200 milhões de expectativas

O Censo 2022 poderá ser decisivo na hora de planejar investimentos do erário, desde a construção de creches até obras para prevenir enchentes e inundações. Temos muito que avançar ainda para superar disparidades sociais.

O levantamento de dados pode ter um valor estratégico para que o poder público possa cumprir com suas atribuições legais e constitucionais, notadamente em áreas sensíveis para a população, como educação, esporte, inovação, saúde, saneamento, segurança, transporte, infraestrutura, geração de emprego, entre outras. Nesse sentido, o censo a cargo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ocupa um lugar estratégico como subsídio para a elaboração de políticas públicas nas três esferas dos entes federados, federal, estadual e municipal. A realização periódica dessa aferição é fundamental para demonstrar quem são os brasileiros, como vivem no cotidiano e quais são suas demandas no curto, médio e longo prazos. 

Nesta semana, depois de mais uma década da amostragem anterior, que foi feita em 2010, o IBGE divulgou o novo censo iniciado em 2022 e dele será possível extrair elementos atualizados para proceder às medidas necessárias para governar o país e legislar sobre suas questões mais prementes. Um item chama a atenção, o do montante populacional. Somos 203 milhões de norte a sul do país, com um crescimento demográfico de 0,52%, o menor percentual desde 1872. O Estado apresentou uma reduzida taxa de crescimento, de 0,14%. Por sua vez, Porto Alegre teve uma redução de 5,4%, perdendo 76.781 habitantes. As regiões mais populosas, pela ordem, são a Região Sudeste (41,8%), o Nordeste (26,9%), o Sul (14,7%), o Norte (8,5%) e o Centro-Oeste (8,02%).

Agora, o censo poderá ser decisivo na hora de planejar investimentos do erário, desde a construção de uma creche até uma obra para prevenir enchentes e inundações. Temos muito que avançar ainda para superar disparidades sociais, como as que avultam no ranking da Organização das Nações Unidas (ONU) que mede o índice de desenvolvimento humano (IDH). Uma das maiores economias do planeta, o Brasil tem de fazer com que sua riqueza interna seja desfrutada pelo seu povo. Nisso, o relatório do IBGE pode ajudar muito.