O governo do Estado está divulgando números positivos em relação ao recuo da criminalidade. Segundo comunicação emitida nesta quinta-feira, “no balanço de março, a grande maioria dos indicadores também revelou diminuições, com destaque para as quedas em latrocínios e abigeatos”. O primeiro trimestre do ano, na visão do Palácio Piratini, seria o mais seguro da história recente, com os melhores números desde a série histórica iniciada em 2010. Para exemplificar, os indicadores apresentados envolvem recuo nos crimes contra a vida, com diminuição de 35% nos homicídios (452 ocorrências para 295), queda de 50% nos latrocínios e baixa de 29% nos feminicídios, de 24 para 17. Essa comparação é feita entre os primeiros trimestres de 2025 e de 2014, respectivamente.
Essa constatação de arrefecimento nos delitos cometidos no Rio Grande do Sul, inclusive dos praticados contra o patrimônio, deve ser saudada. Contudo, no tocante aos feminicídios, houve uma escalada preocupante nos últimos dias, com dez deles sendo cometidos apenas durante o recente período de feriado, mostrando que existe uma realidade em que as gaúchas continuam desamparadas e correndo constantemente risco de perder a vida. Trata-se de um crime de difícil previsão por, no mais das vezes, ocorrer em esfera privada, dentro de casa, mas isso não deve ser óbice para que as autoridades busquem meios de proteger as mulheres. Em geral, essas agressões são paulatinas e deixam sinais, que precisam ser vistos no entorno das vítimas e comunicados para as forças policiais. É preciso criar ferramentas para se adiantar a esse processo que sempre pode terminar em tragédias. O registro on-line de ocorrências pode ajudar, mas também pode ser insuficiente se não vier acompanhado de um conjunto de medidas efetivas.
A segurança pública hoje está no topo das preocupações da coletividade. Melhorar esse panorama é bom e necessário. Nesse contexto, erradicar a violência contra a mulher é uma meta que deve estar no centro da atividade policial e das ações do poder público.