Nesta semana, depois de meses enfrentando pressão para dar andamento à iniciativa, o governo federal decidiu oferecer publicidade à agenda oficial da primeira-dama do país, Rosângela Lula da Silva, a Janja. Ainda que o título conferido à esposa do presidente não implique em exigência legal da medida, a ação acabou se mostrando importante quando considerado o papel político desempenhado por Janja na condução e representação do governo e do país. Desde a última terça-feira, os compromissos públicos de Janja têm sido disponibilizados por meio do perfil que mantém na mídia social Instagram.
Transparência e acesso à informação foi um tema de destaque na campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022, que criticava duramente, e com razão, o então presidente Jair Bolsonaro pelo constante uso do recurso do sigilo dos cem anos. Lula prometia acabar com o dispositivo e abrir tudo o que havia sido ocultado. Nada disso aconteceu. Ao contrário, o Palácio do Planalto tem optado por dar prosseguimento ao mecanismo, em interpretações eventualmente duvidosas do que deve ser considerado privado ou público.
Além disso, a Controladoria-Geral da União e a Casa Civil preparam um projeto de lei para, finalmente, banir o sigilo dos 100 anos da democracia brasileira. O texto, alterando pela primeira vez a Lei de Acesso à Informação, promulgada em 2011, ironicamente é elaborado sob segredo. Cogita-se que haveria redução do prazo para 15 anos, com possibilidade de prorrogações, ou determinaria que a divulgação de informações ocorresse somente depois da morte da pessoa em questão. O problema, no entanto, nunca foi exatamente o prazo, mas a classificação de dados que deveriam ser públicos como privados. O que se espera do governo é que assegure que agentes públicos, que prestam serviços públicos e que recebem recursos públicos possam sempre ser submetidos à avaliação pública.