Editorial

Nova mentalidade nos descartes

Uma das dificuldades durante as cheias para que as águas recuassem está na grande quantidade de lixo nas ruas. As pessoas não seguem as orientações das autoridades para descartar corretamente seus excedentes.

As enchentes que devastaram o RS têm várias causas, como o grande volume de precipitação pluvial, falta de bom funcionamento das casas de bombas, falhas em represas e em muros de contenção, desmatamento das margens de rios e córregos, ruas cada vez mais impermeáveis, entre muitas outras. São diversos os fatores que contribuíram para essa tragédia sem precedentes e todos devem ser analisados. Na medida do possível, têm de ser alvo das providências cabíveis para que sejam tratados de modo que se eliminem ou mitiguem futuras ocorrências. Nem tudo nesse tipo de evento depende do fator humano e, portanto, há uma grande dose de aleatoriedade no seu advento. Contudo, aquilo que pode e deve ser administrado precisa entrar no rol das atividades cotidianas do poder público e da população. Um desses pontos diz respeito à maneira como a coletividade age na questão dos descartes.

Uma das dificuldades durante as cheias para que as águas recuassem está na grande quantidade de lixo nas ruas. O que se vê é que as pessoas não seguem as orientações das autoridades para descartar corretamente, não participando da coleta seletiva e jogando seus excedentes nas vias públicas, principalmente plásticos e outros materiais, que entopem as bocas de lobo. As consequências dessas condutas displicentes acabam representadas num resultado negativo e destrutivo, quando a inundação não baixa ou vai diminuindo em ritmo muito lento depois de atingir imóveis e deixar um rastro de danos em alta escala, como vimos recentemente na Capital e em centenas de cidades do Interior.

Viver em sociedade implica ter empatia com os demais cidadãos e cidadãs, buscando adotar atitudes individuais que contribuam para o bem comum. É preciso pensar em como cada gesto nosso, cada escolha, pode afetar a vida de outrem. Isso vale também para situações em que retiramos o lixo das nossas casas. Ele não evapora, apenas vai para outros lugares onde poderá ou não ser fonte de prejuízos, inclusive com perdas irreparáveis para todos.