Editorial

O ano mais quente da série histórica

Esse fenômeno ocorre pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, com concentrações cada vez mais altas. O resultado disso está diretamente ligado à ocorrência de tragédias climáticas em todo o mundo.

O que parecia provável se consumou. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Observatório europeu Copernicus, o ano de 2024 foi confirmado como o mais quente na história da Terra. Trata-se da primeira vez que a marca de 1,5°C foi ultrapassada na temperatura média da Terra em relação aos indicadores pré-industriais. As medições tiveram início em 1800 e, desde então, nunca se havia visto nos termômetros um número tão perturbador.

Esse fenômeno pode e deve ser creditado ao aumento das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, com concentrações cada vez mais altas. O resultado disso está diretamente ligado à ocorrência de tragédias climáticas em todo o globo terrestre, como inundações e estiagens. Esses eventos acabam por influenciar na saúde coletiva, na biodiversidade, especialmente atingindo a fauna e a flora, na elevação do nível das águas dos oceanos, derretimento das calotas polares, geleiras e a cobertura de neve, em eventos climáticos extremos como o que vimos no RS, com as cheias, na insegurança alimentar, em guerras, conflitos étnicos e migrações e infestações de pragas e insetos danosos ao hábitat humano, entre outras consequências graves e degradantes para a sobrevivência humana.

Diante dessa realidade avassaladora de que a vida corre perigo no planeta de um jeito que nunca se viu antes em nossa história recente, surgem os questionamentos sobre o que pode ser feito para, ao menos, administrar essa questão, mitigando danos. Entre as medidas que podem ser adotadas estão a redução do montante de gases poluentes na natureza, adoção de tecnologias verdes, conservação e restauração de ecossistemas, agricultura sustentável, campanhas de esclarecimentos e conscientização da população sobre formas de contribuir nesse processo e, claro, implementação de acordos e tratados internacionais com repasse de recursos para fundos destinados a ações reparadoras e preventivas de ocorrências adversas geradas pela degradação do meio ambiente. A hora é de medidas concretas, que não podem mais ser procrastinadas.