Editorial

O bom momento do cinema nacional

Essa emergência de um longa-metragem, ‘Ainda estou aqui’, que chamou a atenção do mundo com fatos ainda recentes da nossa trajetória histórica, mostra um bom momento de nossas produções cinematográficas.

O prêmio recebido pela atriz Fernanda Torres, o Globo de Ouro, pelo filme “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles e contando no elenco com atores e atrizes como Selton Mello, Fernanda Montenegro, Humberto Carrão, Carla Ribas, Dan Stulbach, Marjorie Estiano, entre outros, inclusive com nomes emergentes nas telas de cinema, mostrou a força da sétima arte no país. Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, mostra um período difícil e controvertido na história do Brasil, quando foi implementado um regime de força, com cassação de representantes eleitos pela população e interrupção do ciclo democrático.

Essa emergência de um longa-metragem que chamou a atenção do mundo com fatos ainda recentes da nossa trajetória histórica mostra um bom momento de nossas produções, que contam com todo um estafe de diretores, atores, atrizes, roteiristas, figurinistas, pesquisadores e um rol extenso de profissionais que atuam por detrás das câmeras. Isso ocorre com dramas, comédias, documentários e muitas outras formas de representação da realidade ou de sua alegorização visando distrair, instruir ou alertar o público sobre temas diversos. Esse cenário positivo pode, muitas vezes, passar despercebido para muitos num momento em que outros atrativos surgem para cativar determinados contingentes, disputando sua atenção. Contudo, a afirmação do cinema nacional é um fato digno de nota, inclusive como indústria que gera postos de trabalho e renda para milhares de trabalhadores.

Essa realidade promissora pode ser ilustrada por dados divulgados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). De acordo com o órgão, o país está com um recorde no tocante ao número de salas de cinema, que chegaram a 3,5 mil em todo o território nacional. Outra informação relevante é que mais de 120 milhões de pessoas foram aos cinemas no ano passado. Dessa forma, vê-se que a cultura, essencial para a formação de cidadãos participativos e conscientes, tem na produção cinematográfica um suporte efetivo e indispensável.