Editorial

O combate à evasão escolar

Após os 16 anos, apenas 15% frequentam aulas e as causas são muitas, como a necessidade de trabalhar para ajudar a família, gravidez na adolescência e desmotivação com o cotidiano do ambiente de aprendizagem.

Se se tivesse de escolher sobre quais assuntos a sociedade tem consenso, muito provavelmente a importância da educação para o desenvolvimento do país estaria entre eles, ainda que fossem em número restrito. Realmente, é através dela que se pode atingir um grau de bem-estar social e com uma produtividade que contemple todas as demandas socioeconômicas da população. Infelizmente, essa visão comum para por aí e, apesar da unidade no discurso de todos aqueles que dirigem ou se propõem a dirigir os destinos da nação, o aprendizado e a formação dos alunos não recebem a prioridade desejada nem os investimentos devidos.

Essa ausência de atenção com um tema tão relevante vem constantemente sendo corroborada por diversos levantamentos que visam a realizar um diagnóstico dos problemas enfrentados pelos professores, alunos e pela comunidade escolar. Uma pesquisa divulgada pelo Serviço Social da Indústria/Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Sesi/Senai), em parceria com o Instituto FSB Pesquisa, se debruçou sobre a evasão dos estudantes em plena juventude, exatamente na época em que mais precisam da apreensão de conteúdos que lhes serão decisivos pelo restante de suas vidas. Segundo a aferição, após os 16 anos, apenas 15% frequentam aulas e as causas são as mais variadas, como a necessidade de trabalhar para ajudar a família, gravidez na adolescência e desmotivação com o cotidiano do ambiente de aprendizagem. Dos pesquisados com mais de 16 anos, somente 38% deles obtiveram a escolaridade que consideraram a desejada.

Esses e outros estudos científicos devem ser considerados pelas autoridades como forma de repensar o ensino. O mundo todo hoje vive o impacto das novas tecnologias e é necessário que os currículos reflitam essa realidade, sem esquecer diretrizes críticas e propiciadoras de reflexões imprescindíveis. A par disso, equipar as escolas e garantir aportes de verbas também ajudam deixá-las em sintonia com os desafios que se impõem para a inclusão do alunado nos novos tempos de agora e do futuro.