Editorial

O desafio do emprego

Por certo que serão muitos os problemas que enfrentarão os gaúchos tão logo consigam retomar a seu dia a dia minimamente próximo da realidade, algo que ainda não foi possível, até porque algumas áreas da cidade permanecem alagadas. Isso envolve questões como moradia, o retorno às aulas, identificação de áreas de risco, exames preventivos em relação à saúde, entre outros itens. Um desses pontos fundamentais diz respeito à empregabilidade, uma vez que ter um trabalho é um ponto de apoio e de recomeço para qualquer pessoa, tendo relação direta com sua dignidade humana. Nesse sentido, todas as iniciativas que busquem identificar vagas no mercado laboral, bem como a reconstrução das empresas gaúchas, são fundamentais neste momento crítico por que passa o Estado.
Diante dessa realidade, é bem-vindo o projeto EmpregaTCHÊ, Parceria do programa PUCRS Carreiras, que funciona na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, com a Fundação Irmão José Otão. Os responsáveis pelo programa estão cadastrando os interessados, inclusive nos próprios abrigos, para fazer a intermediação com empresas que disponham de ofertas de empregos, inclusive fora do Rio Grande do Sul, como em Santa Catarina. Somente no primeiro dia, mais de cem candidatos se inscreveram, sendo que alguns já conseguiram a sonhada vaga. Essa conquista é uma condição necessária para que os atingidos pelas cheias possam encontrar um novo rumo em suas vidas e na de sua família. Embora os auxílios e ajudas, tanto governamentais quanto da coletividade, sejam bem-recebidas, a verdade é que a prioridade para cada cidadão ou cidadã será sempre ganhar a vida mediante seu labor. É por isso que o foco agora do poder público deve ser o incentivo para que as empresas possam retomar seu papel de gerar emprego e renda, algo que diversas entidades já vêm fazendo, como é o caso do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (Sebrae RS), que criou o programa Sebraetec Supera, para financiar a retomada da atividade econômica de pequenos negócios atingidos pela catástrofe climática.
O RS vivencia o período mais crítico de sua história. O drama coletivo vai muito além do recuo das águas do Guaíba e de outros cursos de água no Interior, envolvendo a correta manutenção do sistema de prevenção de alagamentos. Além das providências imperiosas, urge garantir que os gaúchos possam ter perspectivas melhores de vida a partir de medidas concretas no seu cotidiano, o que envolve ter um meio de ganhar seu sustento de forma digna.