Como se sabe, não existe a possibilidade de desenvolver uma indústria pujante sem que haja fontes de energias suficientes para tanto. Atualmente, o país busca retomar índices de industrialização face a um processo de perda desse setor na participação do PIB ao longo dos anos. Exemplo disso é que houve uma variação para baixo de 24,9% para 16,6% entre 1970 e 2007. Atualmente, esse percentual corresponde a aproximadamente 22%, o que evidencia uma recuperação que ainda não chega à mesma fatia dos anos 70 do século passado.
Um grande desafio à geração de energia para possibilitar a expansão da indústria, e claro, igualmente de outros segmentos da economia, como o varejo e o agronegócio, é que isso tem de ser feito com fontes renováveis e não danosas ao meio ambiente. O petróleo continua a ser importante, mas é necessário demandar alternativas para que o suprimento capaz de fomentar o desenvolvimento industrial seja feito de forma autossustentável.
Diante dessa realidade, vem em boa hora o anúncio de que o governo federal pretende instalar em Rio Grande a primeira biorrefinaria do Brasil. Trata-se de uma unidade cuja planta industrial utiliza a biomassa como matéria-prima, convertendo-a em diversos produtos comerciais e em energia. A ideia é muito promissora. Outrossim, já há, em nível federal, movimentos para incentivar a produção de energia eólica e fotovoltaica. Sem esquecer o potencial para a produção de hidrogênio renovável, outra grande oportunidade para o incremento da produtividade industrial nos próximos dez anos, segundo Paulo Emílio Valadão de Miranda, da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2).
Há um ditado gaúcho que diz que não se deve perder o cavalo que passa encilhado. O país não tem mais tempo de errar em suas escolhas, aí incluídas a logística e o armazenamento de bens produzidos. Em relação à energia, as opções são muitas no tocante à sustentabilidade. Urge investir e gerar empregos e renda sem descurar das questões ambientais.