Não é preciso realizar análises mais profundas para perceber que temos alguns segmentos que insistem em se desconectar da sociedade, pregando valores e preconceitos que são fruto da intolerância e da xenofobia, entendimentos que devem ser rechaçados pela coletividade e, inclusive, além dessa reprovação moral, precisam ser enquadrados no âmbito da legislação penal para que os autores dessas condutas ignominiosas respondam por seus delitos. Para tanto, a atuação das autoridades é fundamental a fim de identificar os criminosos, o que também demanda a colaboração da comunidade para que a ação policial se efetive.
Nesse sentido, as forças policiais estão fazendo a sua parte. Nesta semana, mais precisamente na terça-feira, uma força-tarefa da Delegacia de Combate à Intolerância, sob coordenação da Delegada Tatiana Barreira Bastos e com apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), deflagrou a Operação Accelerare visando prender lideranças de grupos extremistas radicais. Foram detidos três suspeitos e recolhido farto material de apologia ao nazismo e ao fascismo, como símbolos, literatura de cunho nazista, telefones móveis, equipamentos eletrônicos, uma garrucha, simulacros de arma de fogo e munições de vários calibres. A investida tem como objetivo combater crimes de ódio e desarticular um agrupamento criminoso responsável pelo aliciamento de colaboradores via redes sociais, jogos e aplicativos de mensagens.
Como se sabe, a Constituição federal garante o direito de ir e vir e de livre expressão. Todavia, tais prerrogativas não são compatíveis com a prática de atividades ilícitas, bem como com a apologia à criminalidade. As garantias coletivas e individuais precisam ser exercidas com responsabilidade. Defender regimes racistas e genocidas não está no rol do que se possa chamar de exercício da cidadania. Muito menos quando os defensores dessas ideologias investem contra cidadãos buscando causar-lhes mal e sofrimento. Aí cabe ao poder público intervir para fazer cessar a senda delituosa.