A reunião do G20 no Brasil já tem um caráter histórico e, entre muitas pautas, figura com destaque a aliança global contra a insegurança alimentar. Todavia, não obstante esse tema relevante, o encontro tem servido também para a realização de outros fóruns paralelos envolvendo questões igualmente centrais e importantes. Uma delas, a par das emergências climáticas e também correlacionada a ela, é a da degradação dos oceanos. O meio ambiente é interdependente de seus ecossistemas e é preciso dar uma atenção de conjunto para a temática do clima.
Em relação à questão específica dos ambientes marinhos, a Cúpula do Oceans 20 (O20) demandou ao G20 uma gestão sustentável dos oceanos, apontando para o desenvolvimento da chamada economia azul. Ao todo, foram sete recomendações, que envolvem metas como garantir um oceano limpo, saudável e produtivo; incrementar sistemas alimentares aquáticos sustentáveis; expandir a energia eólica offshore; melhorar a governança marítima para um transporte marítimo sustentável; fomentar as finanças oceânicas; melhorar a segurança marítima; e fortalecer a coordenação global sobre os oceanos. O movimento tem a participação de representantes dos países do G20, entidades da sociedade civil, pesquisadores, corporações globais e outros grupos com interesse no futuro dos oceanos. O grupo foi articulado a partir de um aporte da presidência brasileira do G20 como um desdobramento dos esforços despendidos nos ciclos anteriores na Indonésia e na Índia.
Como se sabe, as perspectivas da humanidade no atual grau de interferência na natureza não são nada boas. O aquecimento das águas dos mares pode representar inundações e tragédias em muitos países, assim como a poluição, como no caso dos microplásticos, ameaça de forma assustadora a vida marinha. São muitas as providências necessárias para colocar de pé um entendimento mínimo sobre o que pode ser feito a curto, médio e longo prazos para frear o ritmo frenético de destruição do planeta e, com isso, mitigar os riscos para a própria humanidade.