Inserida no esforço institucional para reverter os números preocupantes em relação aos feminicídios no Rio Grande do Sul, a Polícia Civil gaúcha está realizando amplas operações visando a combater esse tipo de delito, que está ocorrendo em larga escala no Estado. Na semana passada, foram desenvolvidas diversas ações em todo o RS com o objetivo de combater situações de violência doméstica contra as mulheres. O contingente empregado foi de 444 policiais, que executaram 50 mandados de busca e apreensão, e prenderam 32 pessoas por crimes que envolvem a violência doméstica, sendo cinco delas por feminicídio. Também foram checadas 119 denúncias enviadas pelos canais disponibilizados à população, bem como foram efetuadas palestras e ações educativas de cunho preventivo que abrangeram 1.795 pessoas.
Usar as ferramentas tecnológicas para prevenir e investigar agressões, ameaças e casos de óbitos faz parte da rotina dos policiais e são mecanismos que estão sempre sendo aperfeiçoados. Número de telefones, como o Disque 100, WhatsApp e registros on-line são meios disponíveis que garantem o acesso da coletividade às estruturas policiais. A possibilidade de pedir medidas protetivas via Internet também é uma medida que já está em pleno funcionamento, servindo como mais uma forma ágil de as mulheres reagirem à opressão contra si e seus dependentes no cotidiano. Sem esquecer que devemos estar todos atentos para eventuais pedidos de ajuda. Já houve casos de bilhetes de socorro entregues em postos de gasolina para frentistas ou mesmo gestos em farmácias que chamaram a atenção de atendentes para uma situação extrema.
É preciso acreditar que sociedade civil e poder público, unidos, sejam capazes de estancar essa senda de mortes. Governos, os parlamentos, a Polícia Civil e Militar, a rede escolar, as associações de bairro, todos podem e devem fazer mais para defender a vida das mulheres. Essa violência não pode ser naturalizada e o mal que advém dela precisa ser cortado pela raiz.