Um tema que passou a ser recorrente na sociedade brasileira é o incremento nos diversos tipos de golpes que estelionatários estão aplicando no cotidiano, valendo-se dos mais diversos ardis e, principalmente com o uso de novas tecnologias, como a Internet, o Pix e aplicativos diversos. A par disso, antigos estratagemas criminosos continuam a ser usados, como é o caso do famoso golpe do bilhete, que envolve uma encenação bem urdida para enganar as vítimas. Há também o caso dos números telefônicos de prefixo 0800, no qual a pessoa é levada a acreditar que pode evitar uma falsa compra e acaba sendo enganada e furtada em seus recursos.
Diante do incremento da atividade delituosa dos estelionatários, órgãos públicos, empresas e instituições financeiras estão buscando fazer frente a essa realidade de forma preventiva. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central, também apoiada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), estabelece que os bancos e demais instituições financeiras e de pagamentos controladas pelo BC deverão compartilhar entre si dados e informações sobre fraudes e golpes no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), visando ao estabelecimento de mecanismos mais eficientes para evitar os delitos contra correntistas e poupadores.
Evidentemente que essa articulação é necessária, mas não suficiente. Quando o golpista fornece uma conta para receber valores, não há dúvidas de que a expectativa é que as autoridades tenham condições de rastreá-la e de identificar os membros da organização criminosa. Da mesma forma, quando uma fraude é realizada por um número de telefônico, é legítimo esperar que a Anatel seja célere para colocar esse terminal fora de serviço e reportar às forças policiais. Temos hoje ilícitos praticados até mesmo de dentro dos presídios e isso não pode continuar. Os governantes podem fazer muito mais do que estão fazendo para coibir esses malfeitos.