Não obstante a proibição do cigarro eletrônico no país, mais conhecido como vape, o item vem sendo consumido por boa parcela da população brasileira, notadamente pelos jovens. A situação poderia ser ainda pior caso não houvesse o embargo do produto feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo um relatório divulgado em maio do ano passado pelo sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, pelo menos um a cada cinco jovens de 18 a 24 anos usa vapes no Brasil. Assemelhando-se a uma caneta, trata-se de um dispositivo com uma bateria no qual é injetado um líquido concentrado de nicotina, que, aquecido, é inalado pelo usuário.
Há uma falácia disseminada em torno do cigarro eletrônico de que ele seria um aliado para auxiliar no ato de parar de fumar. O diretor-executivo da Fundação do Câncer, cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, ressalta que o efeito tem sido contrário, com cada vez mais jovens sendo atraídos para o hábito de fumar e o consumo de tabaco. Ele também alerta para o risco de doenças pulmonares devido às substâncias tóxicas presentes tanto no cigarro tradicional como nos eletrônicos, com ambos contribuindo para as doenças obstrutivas crônicas (DOCs) e doenças cardiovasculares, além de causarem vários tipos de câncer. Outrossim, uma outra agravante diz respeito à poluição ambiental, uma vez que esse componente eletrônico não é biodegradável nem reciclável, gerando danos contínuos ao meio ambiente.
Diante dessa realidade, é necessário que as autoridades implementem políticas públicas de desestímulo a esse hábito danoso. Para tanto, é preciso contar com a adesão de profissionais da saúde e de toda a sociedade civil, engajados num processo de esclarecimento dos riscos irreversíveis dessa prática nociva. A saúde individual é um ativo que temos hoje, mas é preciso desfrutá-la com parcimônia e zelo para não pagar um preço alto no futuro.