Editorial

Recorrência dos desastres naturais

Os desastres naturais atingiram 93% dos municípios na última década e mais de 4,2 milhões de pessoas tiveram de deixar as próprias casas. Aqui mesmo no RS pudemos verificar que precisamos de mais ações de caráter preventivo.

Nos últimos tempos, temos sido confrontados com muitas ocorrências danosas envolvendo o clima. De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), os desastres naturais atingiram 93% dos municípios na última década e mais de 4,2 milhões de pessoas tiveram de deixar as próprias casas, com empobrecimento de famílias geralmente já desprovidas de condição financeira, sem contar o número de mortes e de feridos. Os dados mostram que, entre 2013 e 2022, eventos como tempestades, inundações, enxurradas e alagamentos foram constatados em 5.199 municípios brasileiros, o que representa 93% do total de 5.570, um percentual significativo.

Aqui mesmo no Rio Grande do Sul, recentemente, um ciclone extratropical deixou mortos, feridos e desabrigados em dezenas de cidades gaúchas, evidenciando que há muito por fazer para minimizar esses impactos. A questão do aquecimento global, entre outras, como desmatamentos, retirada da mata ciliar, agressão à flora e à fauna, vai se impondo e cada vez mais deixando claro que se trata de uma questão urgente. Já não há mais tempo nem mesmo para a restauração dos recursos naturais, que perderam a possibilidade de renovação.

Diante dessa realidade preocupante, resta demandar que o poder público, nas suas diversas esferas, federal, estadual e municipal, adotem as políticas públicas adequadas para encaminhar soluções em face dessas situações de perigo iminente. Quedas de casas, de árvores, desabamento de terrenos, secas prolongadas, falta de água potável são algumas das adversidades por que tem passado nossa população. Nunca podemos esquecer que precisamos diminuir a distância entre o potencial econômico do país e o nível de vida dos seus habitantes, que hoje, segundo o ranking do índice de desenvolvimento humano (IDH), medido pela Organização das Nações Humanas (ONU), é muito aquém do desejável. É preciso investimentos para combater tragédias anunciadas.