O Rio Grande do Sul tem uma reconhecida vocação para o turismo em todas as suas regiões, notadamente na Serra Gaúcha, gerando receitas que contribuem decisivamente para o seu desenvolvimento. Todavia, em meio à maior tragédia de sua história, diversos pacotes estão sendo cancelados e os turistas estão desmarcando estadas e passeios já programados. Com isso, as perdas serão gigantescas para o setor e haverá estabelecimentos fechando, resultando em milhares de pessoas sem emprego e sem renda. A atividade turística costuma ser decisiva para a economia do Estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela atraiu o segundo maior número de turistas estrangeiros em 2022, com quase 500 mil visitantes, perdendo apenas para o maior estado da federação, São Paulo. Além disso, o RS ficou em quinto lugar no tocante às viagens nacionais, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. O levantamento é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.
Representando cerca de 4% do PIB estadual, esse segmento fomenta o desenvolvimento regional de forma ampla e polinizadora, com seus benefícios econômicos propiciando investimentos e circulação de riqueza num ciclo positivo e benfazejo para todos. Preocupa sobremaneira o fato de que hotéis, pousadas, vinícolas, restaurantes, prestadores de serviços e o varejo em geral não poderão mais amealhar valores fundamentais para sua manutenção e a de seus colaboradores. As intempéries e a adversidade logísticas, como o fechamento do aeroporto Salgado Filho e os percalços nos modais de transporte, dificultando o deslocamento, fizeram com que muitas reservas fossem alvo de cancelamentos, comprometendo as finanças e o planejamento locais.
Diante dessa realidade, o governador Eduardo Leite está orçando os prejuízos em torno de R$ 1 bilhão e solicitando repasses do governo federal para fechar essa conta, inclusive para evitar demissões. Até agora, o Ministério do Turismo, por meio do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), já se comprometeu a liberar R$ 100 milhões e trabalha com a perspectivas de liberar outros R$ 100 milhões na sequência. São verbas muito bem-vindas num curto prazo, mas que precisarão receber reforço para que o complexo turístico volte a ter seu papel no nosso contexto econômico. Sem falar em medidas preventivas que possam mitigar o impacto de novos eventos climáticos que afastam os turistas do Sul e de suas regiões ricas em atrativos culturais e em belezas naturais.