O crime organizado tem uma reconhecida capacidade de expansão, numa metástase maléfica à sociedade. Com isso, as forças policiais precisam estar sempre atentas e atuantes para contê-lo e para viabilizar o cumprimento da lei penal. Para tanto, o trabalho é árduo e cotidiano, demandando estratégias e inteligência policial. O aprimoramento da bandidagem em suas práticas e a variação das modalidades de delitos implicam desafios diários, mas que vêm sendo enfrentados com denodo e determinação.
Nessa esteira, é digna de crédito a Operação Xerxes, deflagrada pela Polícia Civil em combate a um esquema de lavagem de dinheiro e extorsão implementado na região metropolitana da Capital. Através da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro (DRLD) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), 250 policiais civis cumpriram 54 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão preventiva nos municípios de Porto Alegre, Viamão, Novo Hamburgo, Canoas e até na cidade do Rio de Janeiro. Oito pessoas foram detidas e houve a apreensão de 34 veículos, incluindo três jet skis e automóveis de luxo. Também houve a indisponibilização de ativos dos criminosos. Chamou a atenção o fato de o grupo delituoso tornar refém um bairro de Viamão, com um simulacro de associação de moradores para extorquir a comunidade. Quem se recusava a pagar era expulso do local, que tinha cerca de 600 lotes sob exploração da quadrilha.
Esse tipo de investida do poder público contra esses meliantes é fundamental para sinalizar aos cidadãos que eles não estão sozinhos e que as autoridades não irão negligenciar na sua tarefa de prevenir e de reprimir os malfeitos desses delinquentes. Não é aceitável que eles queiram implementar modelos de estruturação ilícita para submeter segmentos inteiros aos seus interesses escusos. Para isso, é fundamental que quem mora nesses lugares ameaçados colabore com a Polícia fornecendo subsídios para seu trabalho de enfrentamento a esses grupos de alta periculosidade.