Editorial

Sem trabalho e sem estudo

Na juventude é que se forma o caráter e se delineia o futuro de uma pessoa. São preocupantes alguns levantamentos que indicam uma grande proporção de jovens que não estudam nem trabalham no país, a chamada geração “nem-nem”.

A juventude é uma fase áurea da vida e é nela que se forma o caráter e se delineia o futuro de uma pessoa, tanto nos aspectos individuais como coletivos. Nesse sentido, são extremamente preocupantes alguns levantamentos que indicam uma grande proporção de jovens que não estudam nem trabalham no país, a chamada geração “nem-nem”. De acordo com um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), chega a 36% o contingente dos brasileiros entre 18 e 24 anos que não laboram nem frequentam instituições de ensino. Tal número fica atrás apenas da África do Sul.

Esse problema vem se constituindo numa preocupação dos estudiosos de políticas públicas no Brasil. Para a pesquisadora Mônica Peregrino, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), especialista em juventude, os jovens brasileiros têm uma disposição natural para o trabalho, mas vêm encontrando as portas fechadas. Pode-se dizer que chegamos a um círculo vicioso no tocante à relação entre formação escolar e capacitação profissional, uma vez que se pode concluir que nosso público jovem não trabalha porque não estuda, carecendo de melhor domínio de conteúdos, e não estuda porque não trabalha, sem ter como financiar seus próprios estudos a fim de projetar uma carreira exitosa.

Outra variante a ser considerada é que, mesmo os jovens que estão exercendo um ofício produtivo, o fazem de maneira precária por falta de uma melhor preparação para o mercado de trabalho. Outrossim, é preciso ainda levar em conta a situação das mulheres, que, quando mães jovens, acabam interrompendo o cotidiano escolar para cuidar dos filhos, sem contar com o suporte de creches, por exemplo. Todas essas questões demandam iniciativas que possam melhorar os indicadores socioeconômicos a partir do incentivo à educação. É primordial trazer de volta ao sistema educacional aqueles que se evadiram por vários motivos. É do interesse público que eles recebam um ensino de qualidade.