Nestas eleições municipais, como não poderia deixar de ser, os temas mais locais estarão com maior exposição. Afinal de contas, não são poucas as atribuições dos municípios, as quais vão desde educação até saneamento e esgoto. Não é à toa que os gestores das prefeituras costumam queixar-se de que aumentaram desmedidamente as atribuições ao passo que os recursos que devem ser repassados pela União e pelos estados não guardam a devida proporção no seu incremento, fazendo com que os erários locais padeçam para dar conta das demandas. Tais ressalvas são compreensíveis, mas isso não deve servir de escudo contra eventuais cobranças dos munícipes, que, aliás, devem aumentar por ocasião do pleito eleitoral.
Nesse sentido, diversas entidades e especialistas vêm alertando sobre a necessidade de as comunidades se mostrarem atentas para temas que são candentes para toda a coletividade e para os quais os candidatos a vereador e a prefeito devem ter propostas exequíveis no caso de assumirem os cargos pretendidos. Entre eles, está a questão da fome, a qualidade da educação, a criação de creches, o cuidado com o lixo urbano, seu reaproveitamento quando possível e o desentupimento de vias, e a mobilidade urbana. São pontos que devem ser alvo de políticas públicas e a administração municipal deve ter o acúmulo necessário para elaborar propostas de convênios com União, estados e mesmo consórcios com outras prefeituras em parcerias para otimizar equipamentos, recursos humanos e verbas, observando-se os ditames técnicos e legais.
Uma pesquisa recente apontou que os problemas levantados pelos mais de 150 milhões de eleitores que irão às urnas em outubro envolvem economia (para 21% dos entrevistados), violência (19%), questões sociais (18%), saúde (15%), corrupção (12%) e educação (8%). Isso deve servir de alerta para todos os que buscam representá-los nas câmeras e nos Executivos de suas cidades. Boa parte da pauta está posta e agora cabe aos candidatos interpretar a vontade do eleitor.