Editorial

Tempo de prevenção contra afogamentos

Somente no verão passado, foram contabilizadas mais de 60 mortes por afogamento, o que dá bem a dimensão dessa tragédia que costuma acometer muitas famílias, deixando luto pela perda de entes queridos.

Com o início do veraneio no Rio Grande do Sul, mais uma vez a preocupação das autoridades se volta à prevenção de afogamentos no Estado, notadamente em áreas desprovidas de salva-vidas, no Litoral ou em cursos de água de cidades do Interior. Somente no verão passado, foram contabilizadas mais de 60 mortes, o que dá bem uma dimensão dessa tragédia que costuma acometer muitas famílias, que restam destruídas pela dor e pela perda de um ente querido numa ocorrência fatal que poderia e pode ser evitada. Para tanto, é preciso ouvir os especialistas e agir com cautela, sem o excesso de confiança que é mau conselheiro e com o zelo que deve envolver crianças, adolescentes e pessoas com algum tipo de fragilidade, como limitações para esforço físico.

Em geral, muitos desses óbitos se devem a fatores como negligência, imprudência ou imperícia. A negligência ocorre quando se entra em rios e mares sem os devidos cuidados, como boias ou equipamentos de segurança. Não se faz o que se deve. A imprudência se verifica quando o veranista, por exemplo, ingere bebidas alcoólicas antes de entrar nas águas ou entra mesmo sabendo de suas fortes correntezas. Faz-se o que não se deve. Por sua vez, a imperícia ocorre quando o banhista confia em sua destreza no nado, mas ela não se mostra suficiente, evidenciando sua falta de habilidade na prática da natação. Faz-se o que não se sabe. Tais condutas precisam ser desestimuladas e, nesse sentido, o poder público tem muito a fazer, com campanhas de esclarecimento e de conscientização.

Para que se consiga chegar ao objetivo de não se perder nenhuma vida em rios, mares, açudes, córregos e assemelhados no RS, urge que se ultimem medidas preventivas, como zelo constante com crianças, desfrutar de banhos perto de guaritas dos bombeiros, observar as bandeiras vigentes em relação ao mar, não mergulhar em lugares desconhecidos, conhecer seus limites corporais, entre outros itens. O verão é um período de alegrias que não pode ser tisnado pelo luto que interrompe irremediavelmente a alegria e o convívio familiares.