Editorial

Tráfico de pessoas: calamidade mundial

A Organização das Nações Unidas, a ONU, apela para uma ação urgente e acelerada com a finalidade de acabar com o tráfico de crianças e adolescentes, a partir de 30 de julho, Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas. Elas representam uma grande proporção das vítimas de tráfico em todo o mundo. As meninas são as mais afetadas. Adolescentes e crianças que vivem em meio a crises superpostas como pandemias, desafios ambientais e conflitos armados estão cada vez mais vulneráveis a este tipo nefasto de ação.

A proliferação de plataformas on-line apresenta riscos adicionais, uma vez que o segmento infantojuvenil muitas vezes conecta-se a estes sites sem as salvaguardas necessárias. Os traficantes exploram plataformas, redes sociais e a dark web para recrutar e explorar crianças e adolescentes, utilizando tecnologia para escapar à detecção, alcançar públicos mais vastos e disseminar conteúdos exploradores. O Norte da África, a África Subsaariana, a América Latina e o Caribe, são regiões que suportam um fardo desproporcional, com as crianças e os adolescentes representando 60% das vítimas desse tipo de tráfico.

Entre 2021 e 2023, 355 estrangeiros foram resgatados em situação de trabalho análogo à escravidão no Brasil, segundo relatório do Ministério da Justiça. A maior parte desses imigrantes resgatados é do Paraguai. Em seguida os venezuelanos e os bolivianos. Eles atuavam principalmente no setor de cultivo de mandioca e em confecções de vestuário, ambos em São Paulo, além de madeireiras em Santa Catarina. Conforme o relatório do ministério, as vítimas do tráfico de pessoas no Brasil são majoritariamente homens negros, com idades entre 18 e 29 anos.

Para combater o problema, o Ministério da Justiça vai implementar o 4° Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que será aplicado entre 2024 e 2028. Os objetivos são ampliar e melhorar a atuação dos órgãos envolvidos no enfrentamento ao tráfico de pessoas, promover a proteção e assistência às vítimas e fortalecer a repressão ao crime e a responsabilização de quem o comete. Não podemos permitir que estes crimes covardes e inomináveis continuem a persistir no Brasil e em quaisquer regiões do mundo.