Editorial

Um julho de gerar profunda apreensão

Em tempos idos, falava-se no perigo do desequilíbrio climático. Agora, ele já faz parte do nosso dia a dia. A natureza, por si só, deixou de poder se renovar no que seria seu rumo habitual por conta das ações e omissões humanas.

A questão do aquecimento global tem sido mais comentada do que efetivamente merecedora da devida atenção para que se faça o efetivo combate. Muitas reuniões em foros globais hão resultado em acordos escritos e promessas de investimentos que, ao fim e ao cabo, não são honrados e novos compromissos são firmados sem uma real perspectiva de cumprimento. Com isso, as tragédias climáticas vão deixando de ser ocorrências eventuais para se tornar realidades cotidianas e frequentes. Essa constatação pode ser feita da observação daquilo que ocorre perto de nós até o que está sendo verificado no mundo todo. São ciclones extratropicais, secas constantes, fluxos de água secando até o calor por volta de 50ºC que está assolando a Europa, como na Grécia, na China e no sudoeste dos Estados Unidos, entre outras regiões. 

A situação é tão grave que ela está longe de ser ruim apenas na percepção, mas os estudos confirmam um panorama sem precedentes. De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, e da Organização Meteorológica Mundial, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), este mês de julho deverá finalizar como o mais quente de toda a nossa história. Para o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, a mudança climática já chegou e é aterrorizante. A era da ebulição global já está aí, disse, prevendo a quebra de um triste recorde, que, certamente, deverá fazer parte de um ciclo danoso e gerar perdas irreparáveis para toda a humanidade.

Em tempos idos, falava-se no perigo do desequilíbrio climático. Agora, ele já faz parte do nosso dia a dia. A natureza, por si só, deixou de poder se renovar no que seria seu rumo habitual por conta das ações e omissões humanas. Se ainda temos uma chance de mitigar tudo isso e salvaguardar o meio ambiente, salvando vidas, é preciso agir com a máxima celeridade possível. Está na hora de sair do discurso e partir para uma ação que, mesmo que seja imediata, ainda terá vindo com considerável atraso para ser exitosa.