Continua a ser muito comum se ouvir que aos jovens pertence o futuro do país. Contudo, para que isso se torne uma realidade, é preciso que as políticas públicas, e mesmo as ações da iniciativa privada, sejam alinhadas para que esse segmento receba as oportunidades devidas e, assim, possa desenvolver seu potencial para educar-se adequadamente e ter a capacitação para exercer um ofício produtivo num mundo do trabalho cada vez mais complexo devido ao advento de novas tecnologias.
Diante desse cenário a ser contornado, é preciso se debruçar sobre dados recolhidos por diversos estudos acerca da condição de escolaridade e de aptidão profissional dos jovens. Um levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) – Educação, 2022, que teve seus resultados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, aponta que, dos 49 milhões de brasileiros na faixa dos 15 aos 29 anos em todo o Brasil, 20% não estudam nem trabalham. Esse montante representa um percentual um pouco menor do que o constatado em 2019, quando o número chegou a 22,4%. Entretanto, ainda que com um pequeno recuo, ainda é considerado muito elevado. Ao questionamento sobre o principal motivo de terem abandonado ou nunca terem frequentado a escola, os pesquisados apontaram a necessidade de trabalhar como fator primordial, com 40,2%, embora nem sempre consigam arrumar uma vaga. A gravidez aparece como causa para 22,4% e para 10,3% temos a necessidade de responder por tarefas domésticas ou cuidar de outras pessoas, razões que foram frequentes nas explicações das mulheres.
Como se vê, essa situação está a demandar iniciativas que vão além de um ou outro governo, devendo ser política do poder público de forma sequencial em todas as suas esferas, federal, estadual e municipal. Urge realizar um mutirão para mitigar esse panorama adverso, recolocando os alunos em sala de aula na busca de uma recuperação possível para que eles possam ter a chance de uma vida melhor.