Raíssa Muller, 21 anos, de Feliz; Juliana Proença, 47 anos, de São Gabriel; Patrícia Viviane de Azevedo, 50 anos, de Viamão; Caroline Machado Dorneles, 25 anos, de Parobé; Simone Andrea Meinhardt, 48 anos, de Santa Cruz do Sul; Jane Cristina Montiel Gobatto, 54 anos, de Bento Gonçalves: essas gaúchas têm em comum o fato de terem sido vítimas de feminicídios no feriado da última sexta-feira, um recorde lamentável. São seis vítimas de tragédias semelhantes, são seis famílias destruídas e todo um círculo de amigos em luto. Esse dia, infelizmente, entrou para a história do Rio Grande do Sul e do Brasil como uma data trágica no calendário dos infortúnios que costumam assolar as mulheres, vitimadas pelo machismo, pela intolerância e pela violência doméstica.
Essas mortes sinalizam o tamanho do desafio que deve ser enfrentado pelas autoridades e pela sociedade civil. Trata-se de uma questão extrema que vem há anos exigindo providências de monta em torno de medidas protetivas que sejam eficientes. Muito já foi feito, como delegacias e varas judiciais especializadas, casas de passagem, entre outras iniciativas, mas é certo que muito resta por ser feito e é imperioso que haja investimentos em equipamentos, inteligência policial, profissionais de acolhimento, entre outros itens. Em geral, as formas policiais costumam fixar que esse tipo de delito é de materialidade definida, autoria previsível e difícil prevenção. A dificuldade da prevenção é que constitui o nó górdio a ser desatado nesse imbróglio preocupante.
Diante desse quadro alarmante, as forças policiais do RS estão anunciando que, a partir de agora, as medidas protetivas na esfera policial também poderão ser feitas pela Internet. Aliás, cabe ressaltar que nenhuma das gaúchas assassinadas tinha requerido essa providência. Trata-se de um procedimento que pode ajudar muito ao informar à autoridade policial o que está ocorrendo no seu dia a dia. O fato é que é preciso um mutirão para erradicar esse tipo de crime. Não podemos mais conviver com a perda de qualquer vida, pois todas são imprescindíveis.