Os danos que o cigarro causa ao bolso e à integridade física dos fumantes constituem algo evidente e que só pode ser enfrentado como um problema de saúde pública. De acordo com um levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apresentado nesta quarta-feira, no lançamento da campanha "Precisamos de comida, não tabaco”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), os adeptos desse hábito costumam despender 8% da renda família per capita (medida por indivíduo), todos os meses, para a compra de cigarros industrializados. O valor mensalmente gasto abarca 10% da renda dos que estão na faixa etária entre 15 e 24 anos e atinge 11% entre aqueles com ensino fundamental incompleto.
Já estão bem assentados os prejuízos que podem advir do efeito das substâncias tóxicas contida nos cigarros. De acordo com o oncologista Carlos Gil Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e do Instituto Oncoclínicas, a par da dependência que a nicotina e o tabaco geram, os males para a saúde são imensuráveis. Como consequências frequentes do vício, estão doenças cardiovasculares e pulmonares inflamatórias, enfisemas, bronquites e, principalmente, diversos tipos de câncer, desde o de pulmão até o câncer de garganta, boca, pâncreas, entre outros, cujas causas podem ser encontradas na exposição ao tabaco e seus componentes. Outrossim, não se pode esquecer do impacto danoso dos excedentes dos cigarros, como os filtros, que poluem rios e as vias urbanas. É importante elencar ainda os males advindos dos cigarros eletrônicos, sobre os quais pairam o mito de que seriam menos nocivos ou até inofensivos. Já está definitivamente comprovado pelos especialistas que tais afirmações são totalmente inverídicas.
Diante dessa realidade em que o cigarro se torna um item de alta periculosidade e um entrave para uma vida saudável, urge que todos os esforços sejam feitos para neutralizar seus efeitos deletérios. Campanhas informativas e alertas devem ser constantes nesse sentido.