Não podem deixar de preocupar os democratas de todo o mundo as declarações do presidente Lula acerca do governo de Nicolás Maduro na Venezuela durante a realização da cúpula de líderes da América do Sul, em Brasília, nesta terça-feira. A tentativa de pintar o regime autoritário venezuelano como virtuoso é algo que não se pode aceitar por destoar da realidade e que só pode enganar quem é desinformado ou que repassa tal narrativa por interesse menor.
Os problemas políticos, sociais e econômicos da nação governada por Maduro podem ser medidos por números e por fatos. Em relação aos números, a simples consulta ao ranking da Organização das Nações Unidas, que mede o índice de desenvolvimento humano, já diz muito sobre a situação do povo naquele vizinho país. Num total de 191 nações, a Venezuela aparece na 120ª colocação, ocupando os últimos lugares na América do Sul. No tocante aos fatos, são por demais conhecidos em nível mundial a perseguição à oposição, as migrações de cidadãos famintos, inclusive para o Brasil, as prisões arbitrárias e uma série de atos ditatoriais praticados cotidianamente contra os que se opõem ao seu poder inquisitório.
Diante das palavras elogiosas de Lula a Maduro, o próprio presidente do Uruguai, Lacalle Pou, reagiu e declarou que ficou surpreso por ouvir Lula declarar que o que ocorre na Venezuela, na versão dos opositores, é mera narrativa e falou que não se pode tapar o sol com a peneira em relação à situação dos direitos humanos na gestão de Maduro. No mesmo sentido foi o presidente do Chile, Gabriel Boric, que rejeitou as falas de Lula e afirmou que viu de perto a situação de opressão vivida pelo povo venezuelano.
O que se pode perceber é que o presidente brasileiro, longe de procurar uma solução para uma população que luta pelos seus direitos e garantias civis, resolve se alinhar exatamente com seu carrasco. Isso diminui a diplomacia brasileira e revela um menoscabo pelo regime democrático, o único que respeita a vontade popular.