A luta contra os feminicídios é uma demanda que deve ser constante, intensa e ampla na sociedade. De acordo com o levantamento do 18° Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o país é o quinto que mais registra assassinatos de mulheres no mundo. O documento aponta que, a cada seis horas, uma mulher é vítima de feminicídio no país. Três a cada dez brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. A cada seis minutos, uma menina ou mulher sofre violência sexual e, a cada 24 horas, 75 casos de importunação sexual são registrados. Fatos como esse estão na base da iniciativa do governo federal de lançamento da Articulação Nacional pelo Feminicídio Zero. Tal anúncio se encaixa perfeitamente no âmbito do Agosto Lilás, que é destinado a atividades de conscientização pelo fim da violência contra as mulheres.
De acordo com a ministra Cida Conçalves, da pasta das Mulheres, uma das metas é contar com a parceria dos clubes brasileiros de futebol. Segundo o Fórum de Segurança Pública, em dia de jogos de futebol, a lesão corporal dolosa contra mulheres tem um incremento de 23,7% em relação aos dias sem jogos. E, quando a partida do time ocorre na própria cidade-sede, há um aumento de casos de lesão corporal na ordem de 25,9%. Essa busca de incorporação às campanhas de prevenção de agremiações esportivas numa modalidade que reúne um majoritário público masculino é muito bem-vinda e estratégica para se diminuírem os números da violência doméstica. Trata-se de uma medida que deve ser disseminada para outras áreas da coletividade nas quais a conscientização contra o machismo seja um ativo importante e imprescindível.
Esse assunto é sensível e exige urgência. Todas as vidas são importantes e é preciso semear valores de respeito à vida desde a mais tenra idade das pessoas e, por isso, as escolas e as comunidades têm um importante papel a cumprir neste sentido. Essa realidade tem que ser erradicada o quanto antes, sem tardança.