Infelizmente, os números da violência contra a mulher continuam avassaladores, tanto no Rio Grande do Sul quanto no Brasil. Somente no Estado foram até esta segunda quinzena de agosto cerca de 50 feminicídios e, no Brasil, em torno de 750, sem contar os milhares de agressões e de casos de violência doméstica, seja física, seja psicológica, abalando todo o ambiente familiar. A repercussão desse tipo de ocorrência ocorre em toda a sociedade, que se torna mais insegura e menos confiável, principalmente para as vítimas e seus entes queridos.
É por conta desse panorama preocupante que a coletividade precisa reagir sempre, como já vem fazendo, a exemplo da implementação e atualização da Lei Maria da Penha, que está completando 20 anos de vigência com muitos avanços. Muitos agressores estão presos ou contidos devido a essa legislação, que veio para revolucionar a forma de enfrentar essa questão crucial. A par dela, muitas outras iniciativas estão sendo adotadas pelo poder público e pelas instituições e entidades para somar forças nesse combate que exige um enfrentamento diuturno com ações machistas e condutas delituosas contra as mulheres. Uma delas é o Projeto Sentinela, lançado em março deste ano pela Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), que transforma condomínios em rede de proteção contra as violações dos direitos das gaúchas nos seus próprios lares, que devem ser um lugar de proteção e de merecida tranquilidade. O objetivo é tornar o síndico, os conselheiros, os administradores e os moradores em aliados na prevenção e nas denúncias de casos de abusos de que possam ter conhecimento, incentivando-os a reportar os incidentes de pronto para as autoridades, pois essa celeridade pode ser fundamental para salvar vidas ou impedir danos mais graves decorrentes das investidas dos criminosos.
Não são poucos os gestores condominiais que estão aderindo a essas medidas, que precisam ser replicadas da forma mais ampla possível. As cautelas devem começar a partir da casa, pois trata-se de um tema que extrapola o interesse privado. Aquela história de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher caducou e agora o mais importante é evitar o pior. Nenhuma família deve chorar a perda abrupta de uma mãe, filha, avó, tia ou sobrinha e é tarefa de todos impedir que isso ocorra.