Editorial

Uma opção desconsiderada

Cabe ressaltar ainda a forma como foi anunciada a descontinuidade da iniciativa, sem que houvesse um mínimo de discussão com os principais interessados, que não foram ouvidos no tocante a um tema que lhes diz respeito.

O fato de o Ministério da Educação ter decidido encerrar o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) é algo que causa estranheza num país em que o principal desafio é exatamente oportunizar um bom ensino para todos, com foco voltado para as famílias mais carentes, que são aquelas que precisam ter os seus filhos frequentando regularmente a escola, aprendendo, interagindo com o ambiente escolar e recebendo o necessário para sua manutenção na instituição. Além disso, não somente assimilando conteúdos necessários e importantes, ele também vai poder incorporar valores positivos que irão beneficiá-lo na vida em sociedade.

O Pecim, criado em 2019, permitia a transformação de escolas públicas para o modelo cívico-militar. Por seu formato, os educadores civis ficavam responsáveis pela parte pedagógica, enquanto a gestão administrativa ficava a cargo de militares. Foram aportados R$ 64 milhões no projeto em 2022. Entre os argumentos utilizados pelo governo, situa-se o de que sua implementação não chegou a gerar resultados, o que é bastante discutível. Afinal, não se pode terminar algo que não teve uma avaliação definitiva, sendo necessário maturar seus resultados para que se faça uma aferição melhor do seu potencial e eventuais benefícios para os alunos. Outrossim, não se pode olvidar que, tomando como paradigma a qualidade da educação ministrada nesse tipo de instituição que inspira a proposta, do que são exemplos no Rio Grande do Sul o Colégio Militar, do Exército, e o Colégio Tiradentes, da Brigada Militar, é perfeitamente compreensível o anseio dos pais de querer ter a opção de matricular suas crianças e adolescentes numa escola com esse perfil.

Cabe ressaltar ainda a forma como foi anunciada a descontinuidade da iniciativa, sem que houvesse um mínimo de discussão com os principais interessados, que não foram ouvidos no tocante a um tema que lhes diz respeito. Trata-se de uma postura nada democrática e que subtrai o diálogo acerca de um processo que deveria ser mais pedagógico e mais participativo.