As tratativas entre o governador Eduardo Leite e o governo federal, passando pelo apoio do Congresso Nacional, são fundamentais para darem um fôlego para o Estado. Uma das questões mais prementes diz respeito à dívida estadual com a União, que já beira os R$ 100 bilhões. Pelo acordo firmado, que deverá ser submetido ao crivo do parlamento, o RS não pagará os juros da dívida por três anos, o que deverá gerar um montante de cerca de R$ 12 bilhões não reembolsáveis para serem investidos na sua recuperação socioeconômica, além de cerca de R$ 11 bilhões vincendos. Esse débito representa um peso sobre a atividade produtiva gaúcha há muitos anos e nem mesmo quando esteve suspenso o pagamento, por ordem judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), foi possível reequilibrar as finanças públicas, o que já evidencia que, num tempo de calamidade pública, isso se torna ainda mais inatingível.
Não obstante ter ficado agradecido pelas iniciativas federais de auxílio por parte do governo do presidente Lula, que hoje novamente visita o Estado, o governador Leite já deixou claro que a rediscussão dessa dívida gigantesca precisa ser mais ampla, apontando não apenas para a renegociação, mas também para seu perdão ou extinção. Trata-se de uma questão vital para a sobrevivência do RS neste cenário de destruição em que toda sua infraestrutura e equipamentos, bem como moradias em cidades inteiras que foram devastadas, estão em colapso. Só de déficit habitacional chegaremos a patamares nunca antes vistos e empresas e pequenos negócios estão à espera da oferta de crédito para terem a chance de um recomeço. É preciso que se diga que não se trata de um favor aos rio-grandenses, mas de uma ajuda em função de uma força maior que travou o desenvolvimento desta unidade da federação que sempre contribuiu com seu trabalho para uma nação forte e pujante.
O povo gaúcho é forte, trabalhador e autodeterminado. Vai passar por mais esta tragédia. Todavia, urge que os demais entes federados entendam sua situação momentânea e sejam liberados os recursos para sua recuperação. Nesse sentido, as declarações dos chefes dos demais poderes são encorajadoras. Colocar o RS de fato no orçamento da União e também nas emendas parlamentares é um primeiro passo a ser seguido por outros de mesmo teor.