Em meio ao conflito comercial instalado entre o Brasil e os Estados Unidos por conta das altas tarifas sobre as exportações brasileiras, um recurso pouco conhecido pode entrar nas negociações. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, as terras raras têm potencial para fazer parte de acordos de cooperação, já que são cobiçadas pelos americanos.
Elas são um grupo de 17 elementos químicos encontrados em alguns minerais. O valor está na utilidade para aumentar a eficiência de tecnologias como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias e eletrônicos, além de ter aplicações em caças, satélites e mísseis. Apesar de não serem escassos, esses elementos são difíceis de extrair e processar, o que os torna críticos economicamente e ambientalmente.
Possível área próxima ao RS
De olho neste recurso a ser extraído, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) tem pesquisado áreas com potencial de impulsionar a cadeia nos estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Piauí. É estudada também como uma possível área de exploração, a Elevação do Rio Grande. O Brasil busca, desde 2004, a soberania sobre esse local, que é uma ilha submersa, a aproximadamente 1,2 mil quilômetros da costa do Rio Grande do Sul, rica em minérios.
País está em posição estratégica
Estima-se que o território brasileiro tenha cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, representando cerca de 23% dos recursos globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Sendo o segundo maior detentor dessas reservas no mundo, atrás apenas da China, o Brasil tem nas terras raras um trunfo estratégico diante das perdas impostas pelo tarifaço americano.