Verão

Casas pintadas em azul e vermelho transformam rivalidade Gre-Nal em atrativo turístico no Litoral Norte

Em Curumim, casas pintadas de azul e vermelho mantêm tradição que atravessa décadas e atrai visitantes antes do primeiro clássico do ano

Eli e Osmar e ttransformaram amizade em rivalidade para demonstrar o amor aos clubes do coração
Eli e Osmar e ttransformaram amizade em rivalidade para demonstrar o amor aos clubes do coração Foto : Fabiano do Amaral

A rivalidade entre Grêmio e Internacional, que sai de Porto Alegre para tomar conta de todo o Estado, também está presente no Litoral Norte gaúcho. Na praia de Curumim, em Capão da Canoa, ela ganha forma e cores em duas casas vizinhas, pintadas de azul e vermelho, que há mais de 15 anos se tornaram um ponto turístico informal para quem passa pelo balneário.

Às vésperas do primeiro Gre-Nal de 2026, válido pela quinta rodada do Campeonato Gaúcho e marcado para domingo, às 20h, no Beira-Rio, a tradicional disputa volta a chamar a atenção de moradores e veranistas. Apesar do contraste no muro que divide as residências, a rivalidade dá lugar a uma amizade de mais de quatro décadas entre as famílias.

A casa vermelha pertence ao aposentado colorado Osmar Muller, que completou 77 anos na quinta-feira. Segundo ele, a ideia surgiu ainda durante a construção do imóvel. “Eu comecei a construir um abrigo aqui para a gente se alojar e, com o andamento da construção, como somos muito colorados e já tínhamos na nossa casa em Canela pinturas em vermelho, decidimos que aumentar um pouco mais a pintura não iria nos causar dano nenhum, mas iria me agradar bastante, porque desde pequeno sou torcedor do Internacional”, contou.

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Osmar relembra que acompanhou o clube em momentos históricos fora do país, mas admite o momento difícil vivido pelo time. “Eu fui para o Japão com o Inter quando fomos campeões mundiais, depois para os Emirados Árabes Unidos quando perdemos para o Mazembe, mas nunca desistimos. Sei que o clube está passando por um momento sofrido, os torcedores estão meio descontentes, mas espero que o Inter volte a ser o que já foi no passado”, afirmou. Para o clássico, o palpite é cauteloso: “Espero que dê um empate. Meu palpite é 1 a 1”.

Do outro lado do muro está a casa da aposentada gremista Eli Medeiros da Silva, hoje com 79 anos. Ela conta que a residência era bege antes de entrar na brincadeira. “Eu já tinha comprado e construído um ano antes dele, mas tinha pintado a casa de bege. Quando ele fez toda essa pintura, meu genro disse que teríamos que pintar também”, relembrou. A partir daí, bandeiras e símbolos passaram a marcar a disputa, sempre em tom amistoso.

Neste ano, a casa azul ganhou uma novidade: o escudo do Grêmio pintado em um dos portões, assim como já ocorre na casa do vizinho colorado. “Colocamos bandeira e começou uma disputa, mas sempre dentro da amizade. Nossos times estão em uma fase muito difícil, mas a gente espera que melhorem e que este ano seja diferente. Vamos ter esperança que as coisas mudem”, disse Eli, que também aposta na igualdade no clássico: “Meu palpite é 0 a 0”.

Localizadas a poucos metros da faixa de areia da principal área de banho de Curumim, as casas Gre-Nal se tornaram parada quase obrigatória para quem passa pelo balneário, especialmente nesta época do ano. Fotos, vídeos e curiosidade fazem parte da rotina de quem descobre a rivalidade pintada nas casas, colocando um ingrediente a mais na expectativa pelo clássico.