As águas-vivas, que muito trouxeram problemas aos veranistas entre o final de 2024 e o começo de 2025, estão menos presentes nas últimas semanas nas areias e mar do Litoral Norte, trazendo certo alento àqueles que, até então, se mostravam receosos em ingressar no oceano, sob risco de serem atingidos pelas indesejáveis queimaduras.
“As pessoas podem ficar tranquilas, a incidência neste momento está muito baixa”, disse o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), coronel Eduardo Estêvam Camargo Rodrigues, na entrevista coletiva na última sexta-feira, também com a presença do governador Eduardo Leite, durante a apresentação dos números parciais da Operação Verão Total.
“As águas aquecidas e o clima, de maneira com que foram encontrados no período entre o Natal e o Réveillon, contribuíram para que elas se proilferassem no nosso litoral de maneira considerável. Agora, acalmou”, acrescentou ele. Os números da Operação Verão Total corroboram para esta visão, assim como a percepção empírica de que elas não estão mais presentes.
Na primeira semana de 2025, amontoados de águas-vivas foram vistos em inúmeras praias, espantando os banhistas do mar, e fazendo com que autoridades do sul ao norte recomendassem o cuidado no banho de mar. Na barra do rio Tramandaí, entre Tramandaí e Imbé, as também conhecidas como caravelas chegavam a formar um “tapete” natural na beira do canal. Agora, elas são raras de serem vistas. Em 30 de janeiro, houve somente 172 casos de lesões reportados ao CBMRS em todo o litoral gaúcho; destes, somente quatro no Litoral Sul.
Já no dia 31, mais 679. Em 1º de fevereiro, novo impulso: mais 2.037. No total da operação, de 20 de dezembro de 2024 até 1º de fevereiro, houve 75.285 casos do tipo, 148,8% a mais do que os 30.250 do mesmo período dos anos 2023/2024. O ritmo de aumento é menor do que no período entre festas de final de ano entre 2024 e 2025, quando a diferença de casos era mais do que o triplo com relação à temporada passada.
Geralmente, conforme a divisão de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), as águas-vivas acabam se proliferando devido ao aumento da concentração do alimento delas, o fitoplâncton, no litoral, porém mudanças nos ambientes praianos e o aumento da temperatura do mar nos últimos anos pode explicar esta proliferação maior destes animais nesta época específica. Por se tratar de um fenômeno natural, a Sema não faz intervenções do tipo na costa.
Já quem foi atingido por uma água-viva deve buscar a guarita de guarda-vidas mais próxima, onde será disponibilizado vinagre para molhar o local lesionado. Não se deve esfregar a substância na pele. Depois, é preciso molhar a área com água do mar para remover eventuais traços do animal. A água doce é entendida como agressiva e o ser vivo liberará, como resposta, mais toxinas, causadoras das queimaduras.