Todo verão, o comerciante José Carlos Gomes Moreira é só sorrisos. Mineiro, mas que vive e empreende há anos no Rio Grande do Sul com a família, ele afirma haver um aumento nas vendas de confecções em sua loja, na avenida da Igreja, no Centro de Tramandaí, no Litoral Norte. "A gente reforça o quadro de funcionários, tanto com mão de obra local, quanto de jovens aprendizes que realmente querem aprender. Se não, como os futuros profissionais vão aprender?", comentou.
Seu negócio, em uma via estratégica na área central do município, comercializa roupas masculinas, femininas e infantis em moda praia. Aos poucos, o comércio regional vem apresentando sinais de aquecimento, com a abertura de novos grandes negócios. Entre eles, unidades de atacarejos em diversos municípios, como Tramandaí e Imbé. Este não é um fenômeno restrito às maiores marcas.
Pequenos e médios negócios da mesma forma prosperam na região, atraídos também pelo alto crescimento populacional, um dos maiores do Rio Grande do Sul. Para a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, a mais recente Pesquisa de Natal da entidade trouxe, mais uma vez, o Ltoral Norte como destino favorito de férias, o que traz oportunidades para os comerciantes. "Temos uma perspectiva positiva para este período, sabemos que este verão vai ser melhor, porque no ano passado tivemos todas as situações da enchente que prejudicaram muitas famílias", disse.
Expectativas do comércio para a temporada de verão no Litoral Gaúcho
Ainda de acordo com Patrícia, houve grande aceleração de moradores para as praias, em razão dos impactos, da pandemia e da possibilidade de trabalho remoto, e o aumento de residentes fixos com renda é vital para sustentar negócios que não conseguem sobreviver operando somente no período de veraneio. "Este aumento populacional é, obviamente, um diferencial muito importante para que estes lugares acabem sendo atratores de negócios de relevância", avaliou.
No começo deste ano, ela já havia avaliado bem o desempenho geral do comércio no Litoral Norte, embora nada de "extraordinário", com o segmento sentindo os impactos do início antecipado das aulas. Mas neste ano, ainda de acordo com ela, há grandes desafios no preenchimento de vagas temporárias, e, especialmente, o principal obstáculo é a dificuldade de contratação, curiosamente porque o Rio Grande do Sul vive uma situação de pleno emprego.
Por isso, Patrícia comenta que o importante é atender bem e buscar uma boa experiência para os clientes veranistas em geral. "As pessoas tendem a repetir os lugares que elas vão se houver um bom atendimento. Se você dá uma experiência ruim para seu cliente neste período, aquilo pode comprometer suas vendas futuras, mesmo nas praias", alertou.