Entre a serra e o mar, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Morrinhos do Sul vem ganhando espaço como destino para quem procura fugir do óbvio durante o verão. Em meio a vales, rios de águas cristalinas e mata preservada, o município abriga o Pitayas Eco, que tenho sido cada vez mais procurado por viajantes interessados em sossego, contato com a natureza e paisagens que renderam ao local o apelido de “Jalapão Gaúcho”.
O empreendimento é conduzido pela família de Eliana da Rosa Carlos, 56 anos, conhecida carinhosamente como “dona Pitaya”, ao lado do marido, Agostinho Menge Carlos, 61, e dos filhos Gustavo, 34, e Elen, 23. O espaço recebe visitantes durante todo o ano e tem se transformado em ponto de parada para quem busca desacelerar e vivenciar um turismo mais contemplativo, em um cenário marcado por águas limpas, áreas verdes e silêncio interrompido apenas pelos sons da natureza.
Segundo Eliana, a área sempre esteve ligada à família, que tem a agricultura como principal fonte de renda, mas passou a ser enxergada com outros olhos ao longo do tempo. “Aquilo que antes parecia só mato, hoje a gente vê como natureza, como um paraíso. É um espaço que foi sendo cuidado com amor, e isso faz toda a diferença”, relata. A partir dessa mudança de percepção, o local passou a ser organizado para receber visitantes interessados justamente nessa simplicidade e preservação.
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O crescimento do Pitayas Eco acompanha uma tendência que se espalha pelo Estado, com a busca por destinos menos explorados, fora dos grandes centros turísticos. Em Morrinhos do Sul, o cenário lembra, em escala gaúcha, paisagens famosas do Jalapão, no Tocantins. A comparação surgiu de forma espontânea e acabou sendo adotada pelos próprios visitantes e divulgadores do local. “Foi uma brincadeira que começou, mas que acabou ficando. O Jalapão de lá não tem pitaya, nem banana orgânica, e aqui a gente tem tudo isso”, comenta Eliana.
Nos últimos anos, a divulgação nas redes sociais impulsionou ainda mais o movimento. Visitantes de diferentes regiões do Estado, e até de outros lugares do Brasil, passaram a incluir o “Jalapão Gaúcho” no roteiro. “As pessoas chegam dizendo que viram vídeos na internet, que ouviram falar do lugar. Hoje recebemos excursões, famílias, casais e grupos que querem passar o dia ou acampar”, afirma a proprietária.
A estrutura do Pitayas Eco inclui áreas para camping, quiosques com churrasqueiras, galpão coberto com espaço para convivência, jogos e abrigo em caso de chuva, além de cabanas e chalés para hospedagem. O espaço também conta com áreas destinadas ao lazer infantil e acesso facilitado ao rio, um dos principais atrativos do local. “A ideia é que as pessoas se sintam acolhidas. Aqui tudo é pensado para que elas fiquem à vontade”, resume Eliana.
Entre os visitantes, o eletricista Euclides de Menezes, 58 anos, morador do bairro Rio Branco, em Porto Alegre, conheceu o local acompanhado da esposa e dos dois netos. “Eles estão de férias e queríamos um lugar diferente. Gostam da praia, mas este ano resolvemos variar”, contou. A família chegou após assistir a vídeos sobre o Jalapão Gaúcho nas redes sociais e optou por acampar. “É muito tranquilo, a água é bem limpinha. A gente se surpreendeu positivamente”, avaliou.
Além do contato com a natureza, o Pitayas Eco também integra parcerias com outros atrativos da região, ampliando a experiência dos visitantes e fortalecendo o turismo local. A proposta, segundo Eliana, é crescer de forma consciente, mantendo a essência do lugar. “A gente cuida com muito amor desse pedacinho do paraíso. E ver as pessoas felizes, chegando aqui e se encantando, é a maior recompensa”, conclui.
GALERIA DE FOTOS: Jalapão Gaúchão