A placa instalada há duas semanas que indica condições impróprias para banho não evita que veranistas busquem se refrescar na Lagoa do Peixoto, em Osório, no Litoral Norte. O aviso de impropriedade seguirá por, pelo menos, mais uns dias no local. Isso porque a lagoa, pela segunda semana seguida, foi considerada imprópria para banho pelo relatório de balneabilidade da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Ainda assim, algumas famílias desconsideram as orientações e a placa para fugir do calor e aproveitar as águas da lagoa. O relato de quem visita o espaço diariamente é de que, no dia em que foi feita a coleta para o relatório de balneabilidade, a água da Lagoa do Peixoto estava com tons esverdeados, que chegavam a manchar roupas dos banhistas.
Mesmo com a placa indicando condições impróprias, a água apresenta estar cristalina. Apesar disso, a moradora de Osório e frequentadora do local, Eloeci Terezinha Silva, também conhecida como Tita, conta que tem evitado banhar-se na lagoa nesses últimos dias por temer contrair alguma doença. Ela também lamentou que a qualidade da água tenha decaído nos últimos anos.
“Eu não tenho mais tomado banho aqui na lagoa, mas meu filho e meu esposo ainda entram na água. Quando está imprópria assim, não tem o que fazer. É questão de saúde. Igual, costumamos vir para cá para pegar um ar e aproveitar a sombra, pois aqui é mais fresco. Mas é uma pena não poder utilizar. Aqui é onde nós que somos mais pobres temos para nos refrescar e não podemos mais usar. É muito arriscado”, contou.
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Risco de intoxicações agudas
De acordo com o boletim de balneabilidade da Fepam, a Lagoa do Peixoto apresentou alto índice de cianobactérias (129.267 células/ml — o limite é 50.000), o que indica condições de eutrofização (excesso de nutrientes). Além do local estar impróprio ao banho, os gêneros predominantes de microrganismos são potenciais produtores de microcistinas, e a exposição a essa água pode levar a intoxicações agudas ou crônicas.
Prefeitura cita condições climáticas
Procurada, a Prefeitura de Osório argumentou que a “classificação temporária de balneabilidade imprópria na Lagoa do Peixoto decorre de monitoramento técnico periódico, realizado conforme os parâmetros ambientais vigentes que sofrem influência das condições climáticas”.
Além disso, a administração municipal reforçou que novas coletas serão realizadas e que a população será devidamente comunicada quando novos laudos forem apresentados. A prefeitura salientou ainda que Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Territorial e a Procuradoria Municipal já solicitaram reunião com a concessionária de saneamento para tratar sobre o assunto.