Um dos complexos gastronômicos e comerciais mais badalados do Litoral Norte, o Ramblas Atlântida, se converteu há muito tempo em um point carimbado de famílias e demais frequentadores na praia de Atlântida, em Xangri-Lá. O local, derivado a partir de 2011 do antigo Rocky Point, inaugurado na década de 1990 com foco no público jovem, fica na avenida Central, 2060.
Ele evoluiu, atraindo não somente esta geração, com danceterias, baladas e demais empreendimentos do gênero, como também é um ponto de encontro multigeracional, explicou o fundador do espaço, o empresário Solon Soares. Com cerca de 50 mil metros quadrados e 87 operações, o Ramblas possui características únicas em relação a outras operações, operando, além das 39 atrações de gastronomia, também 25 marcas na chamada Calçada da Moda.
Todas as operações funcionam diariamente. As lojas de moda abrem a partir das 15h, a praça de alimentação às 18h e os restaurantes após às 18h30min. À noite, aliás, todo o espaço se enche de um brilho próprio, seja das pequenas lojas, das feiras ao ar livre ou dos grandes restaurantes, com clara inspiração internacional, como na famosa avenida Las Ramblas e no mercado La Boqueria, ambos em Barcelona.
Apesar do amplo sucesso de público, com o Ramblas gaúcho projetando entre 1 milhão e 1,5 milhão de visitantes nesta temporada de veraneio, há o desafio da sazonalidade, pois grande parte dos visitantes frequenta o espaço justamente durante o veraneio, enquanto no restante do ano, falta um amplo planejamento de turismo que mantenha pessoas de fora no Litoral, disse o empresário.
“Não há um apelo turístico para o veranista vir para cá, tanto que, se você chegar aqui em qualquer época do ano, vai ver que os condomínios, há bastante gente, porque eles criam lá dentro um ambiente próprio. Aqui fora, está relativamente abandonado. Não há uma inovação de beira de praia, é o que quero dizer. Veja o exemplo da Plataforma de Atlântida, que nós, empresários, construímos, foi entregue para a Prefeitura e deixaram cair”, comentou ele.
Soares compara a situação com o apelo do município de Gramado, já que, de qualquer forma, muitos empresários do local são de lá ou cidades como Caxias do Sul e outras regiões da Serra. Ali, a sazonalidade foi “superada”, segundo ele. “Em Gramado, o empenho dos empresários locais acabou empurrando a Prefeitura para um sistema que funciona. Já em Atlântida, a relação é um pouco descoordenada e complicada, e o empresário está, muitas vezes, sozinho”.
O fundador faz a metáfora de que “um Boeing (Ramblas) não consegue levantar somente uma asa”, ou seja, o complexo não tem condições de sustentar o turismo da cidade o ano todo se ela não investir na área, como fez o município da Serra. O jovem empresário Pedro Henrique Albe é o idealizador da SeaWallow, marca autoral de Caxias do Sul, onde mantém seu ateliê, com foco em moda feminina e masculina, e que inaugurou em 1º de dezembro de 2025 uma loja física de 12 metros quadrados no Ramblas Atlântida.
Ele desenha as peças, enquanto sua mãe, Sinara Albe, é a diretora criativa. Além do espaço, a marca comercializa também online. “A gente tem uma identidade bem de praia mesmo, surfwear, e sempre foi nosso desejo manter uma loja aqui. Agora, já estamos pensando em ampliar. Está sendo muito bom, estamos fazendo muitos amigos e tendo muitos clientes, e vendendo bastante. Grande parte das pessoas que entra aqui acaba comprando”, comentou ele.
A intenção é manter aberto este espaço até a Páscoa, mas abrir também nos feriadões de 2026, inclusive no inverno, pela proximidade com a Serra e o fato de que a família mantém uma residência em Atlântida. É uma estratégia que casa com a visão do fundador do Ramblas. “Teremos 11 feriadões neste ano. São oportunidades de quebrar um pouco o ciclo de falta de visitantes fora do veraneio e potencializar um pouco mais o espaço na baixa temporada”, disse Soares.