Câncer de mama: prevenção é o caminho
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Câncer de mama: prevenção é o caminho

Especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce, por meio da exame de mamografia, além de hábitos saudáveis

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Correio do Povo

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O mês de outubro chegou e com ele se apresentam inúmeras atividades voltadas à conscientização para a prevenção ao câncer de mama. Instituições em todo o país promovem ações para o combate à doença, que acomete, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 59,7 mil mulheres ao ano. É o tipo de câncer que mais atinge as mulheres no Brasil. 

Para reduzir essas estatísticas, especialistas enfatizam a importância do diagnóstico precoce e a realização da mamografia. E quanto mais cedo houver o diagnóstico, maiores são as chances de cura. “O único método para diagnóstico para câncer de mama é a mamografia. A mamografia é salvadora, quando eu não uso o rastreamento mamográfico, tenho 80% de doença avançada. Quando uso, tenho 80% de câncer diagnosticado, ou seja, tenho diagnóstico precoce, se não uso a mamografia, tenho diagnóstico tardio. Não existe nenhum outro exame de imagem que faça diagnóstico de câncer de mama. Na ausência de mamografia, por exemplo, o exame do médico vai diagnosticar tumores próximos a 1 cm, ou seja, sem a mamografia, um bom médico, treinado, vai achar um nódulo por volta de 1, 2 cm, é um nódulo grande, não é o ideal, mas é melhor do que nada”, explicou o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em São Paulo, João Bosco. 

O médico destacou que o diagnóstico do câncer de mama melhorou muito no Brasil com o treinamento de profissionais. “A Sociedade Brasileira de Mastologia já tem mais de meio século no Brasil e coordena a formação, as atividades e as políticas que possam melhorar o diagnóstico precoce do câncer de mama. É fundamental a atividade de uma sociedade como a nossa, para que possamos, em um país continental como o nosso, ter ações, protocolos, condutas estabelecidas igualmente”, avaliou. 

A técnica e tecnóloga em Radiologia Médica do Senac Saúde, Marta Campos Miller, também enfatiza que os profissionais das técnicas radiológicas façam o trabalho de prevenção e detecção precoce do câncer de mama por meio da mamografia. Ela lembrou que o Inca recomenda a mamografia a cada 1 ou 2 anos para as mulheres acima de 50 anos. Já o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), assim como a SBM, recomenda iniciar aos 40 anos, com periodicidade anual. “Como ainda existe muita desinformação sobre o exame, é importante esclarecer alguns dados. Um exemplo, as pessoas perguntam se a mamografia aumenta o risco do câncer de tireoide. Isso é um mito. Segundo a Comissão Nacional de Mamografia formada pelo CBR e a Sociedade Brasileira de Mastologia, ‘a dose de radiação para a tireoide durante o exame é extremamente baixa: menor que 1% da dose recebida pela mama. Isto é equivalente a 30 minutos de exposição à radiação recebida a partir de fontes naturais como o sol’”, explicou. Marta também lembrou que mulheres que têm prótese de silicone podem realizar a mamografia sem impedimento. 

Além do exame, profissionais também salientam o estilo de vida saudável como um aliado para a prevenção. Um estudo promovido por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás, em parceria com a SBM, detectou que as mulheres com diagnóstico de câncer de mama, independente se estavam menstruando ou na pós-menopausa eram, em sua maioria, sedentárias, ou seja, não praticavam atividade física regular no momento de lazer. Também consumiam mais cigarros e bebidas alcoólicas do que as mulheres sem o diagnóstico, observou o coordenador do estudo e presidente do Conselho Deliberativo da SBM, Ruffo de Freitas Junior. 

A pesquisa mostrou ainda que, na pré-menopausa, a adiposidade abdominal elevada, ou seja, uma circunferência da cintura maior que 88 centímetros, triplicou o risco para o câncer de mama. “Como sabemos que apenas 10% do câncer de mama são de causas hereditárias, identificar os fatores que podem ser alterados é uma importante forma de prevenção primária da doença”, afirmou Ruffo de Freitas Junior. 

Para o médico, o resultado deixou clara a necessidade de focar os esforços para alterar esses comportamentos. “Precisamos ajudar as mulheres a melhorarem sua qualidade de vida incluindo no seu dia a dia hábitos saudáveis”, sugeriu.


Hábitos para uma rotina saudável
-  Alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer, ou seja, prefira comer em pequenas quantidades, sempre priorizando os alimentos naturais e evitando os industrializados.
- Evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos, doces, sucos de caixinha ou saquinho, refrigerantes, pão branco, macarrão, sempre preferindo as opções integrais. 
- Procure ingerir frutas, legumes e verduras. São fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricos em fibras que ajudam na saciedade e no funcionamento adequado do intestino. 
- Faça exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de exercícios físicos moderados divididos entre os cinco dias ou 75 minutos de exercícios vigorosos divididos entre os cinco dias.