Arte & Agenda

Arte de pacientes do IPF ganha exposição

A mostra abre nesta quinta-feira no prédio da Justiça Federal

Experiência de pintura coletiva se torna exposição
Experiência de pintura coletiva se torna exposição Foto : Aloizio Pedersen / Divulgação / CP

Um projeto único no Brasil: arte produzida por pacientes inimputáveis, sob a tutela do Estado, no extinto Instituto Psiquiátrico Forense, transformou a exclusão em geração de renda e cidadania, antes mesmo que a Resolução 487/CNJ – desinstitucionalização. O resultado pode ser visto na exposição ”Artinclusão no IPF: Retrospectiva”, que abre neste dia 14 de maio, às 16h, no prédio da Justiça Federal (rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, 600), em Porto Alegre.

O idealizador do Projeto Artinclusão é o artista Aloizio Pedersen.

Serão 36 telas acrílicas de um acervo inédito de mais de 100 obras, todas com etiquetas revelando o processo teórico-prático executado. Geralmente a partir de exercícios livres, individuais ou grupais (Vygotsky), do expressionismo por linhas (Fayga Ostrower), ou dripping (Pollock), ou releituras de artistas do Modernismo Brasileiro (Tarsila do Amaral, Iberê Camargo) principalmente, ou da cor-emoção (Kandinsky), entre outros.

O processo será comprovado com vídeos para o público da construção criativa das obras, no Atelier do IPF. E o resultado de três anos ininterruptos de oficinas semanais foi a reorganização emocional, a integração psíquica e social e a abertura de novos caminhos para seus autores, com geração de renda e cidadania.

O projeto é mantido pela Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas (VEPMA).

Conforme Pedersen, este é um acervo comparado a do Museu das Imagens do Inconsciente (RJ), de Nise da Silveira, que Mário Pedrosa categorizou de arte pura, com a diferença que os artistas não eram inimputáveis judiciais como os no IPF. Portanto, é um patrimônio inédito de arte e saúde mental do Rio Grande do Sul.

A mostra anterior foi exposta em Portugal, a convite do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, em seu Instituto, quando a batizou de “Beleza Marginalizada” por ainda não ter o reconhecimento devido no mundo ocidental. E também itinerou por seis universidades portuguesas.

Serviço:

Exposição ”ARTINCLUSÃO NO IPF: RETROSPECTIVA”

Abertura: 14 de maio de 2026, às 16h.

Local:- Justiça Federal – Rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, 600 – 9º andar. Porto Alegre

Entrada Franca – Visitação até 30 de setembro, das 14h às 18h.

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