Na noite de quinta-feira, dia 15, foi exibido o filme "Barba Ensopada de Sangue", dirigido por Aly Muritiba, no Palácio dos Festivais, dentro da mostra competitiva de longas brasileiros do Festival de Cinema de Gramado. Este foi o último filme concorrente na categoria a ser apresentado, visto que nesta sexta-feira a exibição é somente do filme "Virgínia e Adelaide", de Yasmin Thainá e Jorge Furtado.
Adaptado do livro homônimo de Daniel Galera, o filme traz uma versão mais enxuta do livro. O diretor conta que teve a indicação do livro por Léo Garcia durante o Festival de Roteiros de Porto Alegre (FRAPA). "Ao ler o livro, imediatamente pensei em adaptá-lo", conta o diretor.
Na história, um homem jovem viaja para uma praia em busca de respostas sobre o passado de sua família. Ao chegar na casa de seu avô, conhecido como Gaudério, ele tem contato com objetos de pesca, como redes e até um arpão de caça baleias, prática realizada no local até os anos 1970.
O protagonista é vivido por Gabriel Leone. A localidade, ao ver que o neto de Gaudério chegou na cidade, se mostra espantada. Ao longo do tempo, o rapaz fica sabendo que o pai tinha fama de louco e a casa em que está, de assombrada.
"Na adaptação, procurei manter o essencial do livro", contou Muritiba na sala de debates na manhã desta terça-feira. "Minha obra gosta de personagens masculinos machucados, 'quebrados', e vi no protagonista do livro de Daniel Galera esse sujeito que está 'lambendo as feridas'", completa o diretor.
No livro, a história se passa em Garopaba, mas no filme em uma praia fictícia, chamada Armação. A rodagem ocorreu no litoral sul de São Paulo, na região do município de Cananéia. E justifica porque não gravou em Santa Catarina: "A Garopaba de hoje mudou muito, não é mais a Garopaba descrita por Daniel Galera. E eu quis buscar uma praia menos tropical", explica o cineasta. Por isso optou por outra locação. "No período invernal, em Cananéia, o mar fica mexido e tem vento forte. Vou fazer com que a paisagem fale pelo personagem", disse o diretor sobre o personagem taciturno.
O diretor também conta que no filme não colocou a primeira parte do livro. Na montagem, ele foi se dando conta de que o início revela muito do que virá na trama. Por isso, optou por fazer o espectador ir descobrindo aos poucos sobre os mistérios da história.
O protagonista chega à cidade com sua cadela, Beta. Na vida real, ela se chama Texas, estava acompanhada de seu dono e ambos entraram no tapete vermelho e no cinema com a equipe, encantando a plateia.
"O antagonismo do filme se torna a postura das pessoas da cidade, que passam a querer expeli-lo", explica o diretor. Os pescadores deixam explícita a mensagem em sua casa com uma pichação: "Vá Embora". A única pessoa que é receptiva a Gabriel é Jasmine, uma guia de turismo, interpretada por Thainá Duarte. A atriz contou que foi a Garopaba para se preparar para o papel. "Foi muito importante pra mim", contou.
Gabriel Leone chegou ao set logo após ter rodado "Ferrari", por isso não teve tempo de deixar a barba crescer. Como a barba é fundamental para o protagonista, estando no título do livro e do filme, a solução foi colocar uma barba postiça. Isso exigiu que Gabriel chegasse pelas 5 horas da manhã no set, antes dos demais atores. "Ontem foi a primeira vez que vi o filme. Esta história me tocou também porque tenho um avô gaúcho", disse Leone, dedicando a sessão de quinta a ele.