Uma coprodução entre Brasil e Itália, com quatro semanas de filmagens realizadas em Porto Alegre, foi premiada no Festival de Veneza. “Retorno a Buenos Aires”, dirigido por Marco Bechis, recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Ator para Adriano Giannini concedidos pelo sindicato dos jornalistas cinematográficos italianos, o Prêmio Francesco Pasinetti.
A equipe brasileira acompanhou a sessão oficial do longa, realizada em 11 de setembro, no Palazzo del Cinema, no Lido de Veneza. Após a exibição, o filme recebeu 14 minutos de aplausos. Os produtores Patrick de Jongh, Cibele Amaral e André Ristum, além dos atores Paula Cohen e Eduardo Hoy, representaram o Brasil na sessão, no tapete vermelho e na coletiva de imprensa.
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Produção em destaque no Sul do Brasil
Produzido pela brasiliense 34 Filmes, “Retorno a Buenos Aires” teve parte importante de sua produção realizada no Rio Grande do Sul. Foram quatro semanas de filmagens em Porto Alegre, seguidas por outras três semanas em Turim, no norte da Itália. A produção contou ainda com diversos profissionais brasileiros, como o diretor de arte Eduardo Antunes, a figurinista Coca Serpa, a produtora executiva André Ristum e Patrick de Jongh e o line producer Beto Rodrigues.
O longa acompanha Mariano Guerra (Adriano Giannini), um médico italiano que retorna à Argentina 33 anos depois de ter sido sequestrado, torturado e escravizado durante a ditadura militar. Ele volta ao país para prestar depoimento no julgamento dos ex-militares responsáveis por seu cativeiro. Paula Cohen interpreta a juíza Desideria Losada, enquanto Eduardo Hoy vive a versão jovem do protagonista.
Assista ao trailer:
Enredo aborda memória e justiça na Argentina
Ambientado em Buenos Aires, em 2008, o filme aborda memória, justiça e sobrevivência a partir da trajetória de um dos poucos sobreviventes da repressão argentina. Ao reencontrar pessoas com quem compartilhou o cativeiro, Mariano é levado a confrontar acontecimentos que permaneceram sem resolução durante décadas.
A história também tem relação direta com a trajetória do diretor Marco Bechis. Nascido em Santiago, no Chile, e criado entre São Paulo e Buenos Aires, ele foi sequestrado e mantido preso durante quatro meses, em 1977, no centro clandestino Club Atlético, durante a ditadura argentina. A experiência marcou sua produção cinematográfica e conferiu caráter testemunhal a obras de sua filmografia.
A coprodução reúne a brasileira 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema. A distribuição no Brasil é da Paris Filmes.