Você já imaginou como seria uma cozinha resiliente, sem itens em MDF? Pois ela existe e está exposta na CasaCor RS 2026. O projeto do arquiteto Carlos Porto foi chamado de “Cozinha do Futuro” e se destaca pela substituição da marcenaria convencional por alumínio e vidro. O espaço foi um dos seis desta edição da mostra de arquitetura que receberam a certificação GBC Life (Green Building Council), um selo voltado a ambientes que priorizam saúde, conforto, bem-estar e sustentabilidade.
“Na concepção do projeto, eu me juntei com uma empresa parceira que só trabalha com móveis em alumínio e chapas de alumínio. Toda a marcenaria da minha cozinha é sustentável por se tratar de um material, o alumínio, que é 100% sustentável. É um material que vai para o lixo, mas pode ser reciclado, e a gente pode refazer o móvel. A durabilidade deste móvel, comparada a qualquer outro móvel, é indiscutível”, explica Porto.
O exemplo utilizado pelo arquiteto para mostrar a resiliência do espaço é oportuno e familiar aos moradores de áreas vulneráveis a inundações.
“Depois das enchentes, se essa cozinha fica submersa, depois que a água descer, a gente pode lavar toda a cozinha com lava-jato e os móveis vão estar intactos, funcionando. Diferente de um MDF que a gente sabe que molha, incha e a gente tem que descartar. Então, por conta da durabilidade do móvel, ganhamos essa certificação pensando na resiliência deste material, que sabemos que ele vai durar muito mais tempo comparado a outros convencionais”, afirma.
Certamente, o móvel que mais chama a atenção do visitante é a mesa que flutua no centro do espaço, suspensa por cabos de aço.
“Essa ilha de vidro tem uma proposta de uma releitura da tradicional ilha, aquele bloco de pedra, de mármore, que quebra o ambiente. Aqui eu trago esses planos de vidro mais como um conceito, para mostrar que essa leveza e transparência desses vidros não quebram o visual; eles dão uma permeabilidade no ambiente que outro material não poderia dar”, explica.
O ambiente de 40 metros quadrados também apresenta uma horta vertical com ventilação mecânica. O espaço fica dentro de um armário de vidro e cultiva temperos variados, introduzindo o cultivo de alimentos à rotina doméstica.
“Esses planos de vidros trazem leveza para dentro da cozinha, bem como todos os armários. A gente consegue perceber que eu elevei eles 30 cm do chão e não encostei eles no teto para dar justamente essa sensação que todos estão flutuando dentro do espaço, bem como a ilha. Então, esses finos cabos de aço, dependendo do ângulo, eles se camuflam com o armário no fundo e parece que os vidros estão flutuando”, conclui.
Além da “Cozinha do Futuro”, de Carlos Porto, os ambientes que receberam o certificado GBC Life foram a “LabStore”, da Miint&Co; o “Dormitório da Menina”, de Aclaene de Mello Arquitetura; “A Casa Bem Vivida Electrolux”, de Karen Feldman Arquitetos Associados; o “Álbum Bella Decor”, da Poema Arquitetura; e a “Cafeteria Fibraplac”, da KV Arquitetura.
A exposição
A CasaCor RS acontece no antigo terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho, na Avenida dos Estados, 747, em Porto Alegre. De segunda a sexta, a mostra abre das 14h às 21h. No sábado e no domingo, o horário é das 12h às 21h. Os ingressos custam a partir de R$ 48 e podem ser adquiridos no site da mostra.
Os visitantes também podem votar no melhor espaço por meio de um totem eletrônico, que registra os votos ao final do circuito, na LabStore. O vencedor do Prêmio Correio do Povo CasaCor RS 2026 será conhecido na cerimônia de encerramento do evento, em 4 de outubro.