Feira do Livro

Feira do Livro de Porto Alegre promove atividade sobre literatura indígena com a presença de mais de mil alunos

Programação foi marcada pela presença de escritores indígenas renomados

Um diálogo sobre literatura e ecologia reuniu os escritores Auritha Tabajara, Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Raquel Kubeo
Um diálogo sobre literatura e ecologia reuniu os escritores Auritha Tabajara, Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Raquel Kubeo Foto : Eduardo Fernandes / Divulgação / CP

Nesta terça-feira, dia 12, mais de mil alunos participaram de atividades voltadas à valorização da literatura e da cultura indígena na Feira do Livro de Porto Alegre. A programação contou com atividades para diversos públicos e foi marcada pela presença de escritores indígenas renomados.

Um diálogo sobre literatura e ecologia reuniu os escritores Auritha Tabajara, Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Raquel Kubeo. No ciclo "O Autor no Palco", os autores Cristino Wapichana, Lucia Tucuju e Eva Potiguara receberam estudantes para um bate-papo sobre suas obras e vivências. Além disso, durante todo o dia, na Aldeia das Histórias, foram realizadas contações de histórias da literatura indígena, proporcionando uma imersão cultural para os pequenos.

No Rio Grande do Sul, atualmente, há 102 escolas indígenas, que atendem a 6.410 alunos. A escritora Lucia Tucuju destacou a relevância de debater a temática em espaços como a Feira. “Através da literatura, vamos tendo consciência e noção da importância de valorizar a cultura, as histórias, a ancestralidade, as memórias, para que não se apaguem, para que cada vez estejam mais acesa”, reforçou a autora.

O destaque foi o bate-papo entre os autores Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã, Eva Potiguara e Lucia Tucuju, que reuniu mais de 500 estudantes de escolas de Porto Alegre e região. Com presença de alunos dos ensinos fundamental e médio, os escritores compartilharam histórias, costumes e a cultura de seus povos de origem.

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Eva Potiguara abordou temas como a importância da mulher e o cultivo das raízes africanas. “É uma grande oportunidade na vida dos alunos poder vivenciar esse momento: de poder conversar com a autora

depois de termos trabalhado em sala de aula as obras e a biografia dela. É uma experiência única para eles”, comentou Ronaldo Gonçalves da Silva, professor de Língua Portuguesa da EMEF João Antônio Satte.

Yaguarê Yamã, autor de mais de 30 livros e representante das etnias maraguá e sateré-mawé, ressaltou a valorização da identidade nacional. “Virei escritor pois tinha vontade de me sentir representado dentro de um livro. Trabalho para aproximar a nossa cultura, a nossa tradição de ser brasileiro, de sermos nós mesmos”, enfatizou.

Com mais de 65 livros publicados, Daniel Munduruku compartilhou um pouco de sua trajetória e abordou temas como ancestralidade e conexão com a natureza. Em um bate-papo descontraído, os alunos

interagiram com o autor e tiraram dúvidas sobre seu trabalho.

Lucia Tucuju, do povo kamarumã do Amapá, falou com entusiasmo sobre sua presença no encontro. “Estar aqui nessa feira tão grandiosa é uma alegria imensa. Minha avó era uma grande contadora de histórias, e

meu sonho sempre foi tocar a vida das pessoas com as minhas narrativas, assim como ela fazia enquanto pescávamos na aldeia”, relembrou emocionada.