Foi exibido, na noite de segunda-feira, o longa-metragem de ficção “Chorão – Só os Loucos Sabem” (SP) no Festival de Cinema de Gramado. Para quem não conhece a carreira do compositor e cantor Alexandre Magno Abrão (1970 – 2013), conhecido como Chorão, o subtítulo faz referência a uma das canções do artista. Vocalista da banda Charlie Brown Jr, Chorão viveu em Santos e foi nesta cidade que a maior parte do filme foi rodada.
Dirigido por Hugo Prata, que tem no currículo o filme “Elis”, e Felipe Novaes, que assina a direção do documentário “Chorão – Marginal Alado”, esta cinebiografia acompanha parte da vida familiar do artista e seu romance com Graziela Gonçalves, vivida por Nanda Marques.
O longa-metragem foi livremente inspirado no livro que a ex-mulher do cantor escreveu, a pedido do próprio Chorão antes de morrer, e quem tem o título “Se não eu, quem vai fazer você feliz?”. “Li o livro umas cinco vezes”, disse a atriz Nanda.
O filme acompanha o início do namoro dos dois. Ele era um skatista desempregado iniciando uma banda. Ela, uma locutora de rádio apaixonada por música e que sonhava em ser estilista. O interesse musical era uma das coisas que unia o casal.
A atuação de José Loreto como Chorão é um dos grandes acertos do filme. Ele consegue não apenas fazer os trejeitos e expressões físicas do cantor, como seu lado emocional instável, que oscilava entre a generosidade e a fúria. Chorão se envolvia em brigas de rua e, ao longo da carreira, teve desentendimentos públicos com músicos de dentro e de fora da sua banda.
- Maior espaço aos documentários
- Selton Mello ministra masterclass na PUCRS e recebe prêmio em Gramado
- Filme "Pele de Rinoceronte" aborda violência contra mulher
“Este é o filme da minha vida”, disse José Loreto. Ele revelou que há anos tinha um desejo de interpretar Chorão e se dedicou inteiramente na preparação do personagem. “Escutei todas as músicas da banda, decorei as letras. Foi um trabalho de muita repetição”, conta. Além disso, se submeteu à preparação vocal e de elenco. “O mais difícil foi andar de skate. Eu gostaria de ter feito mais cenas sobre um skate, mas a produção não deixou porque tinha receio de que eu me machucasse.” Vale ressaltar que o skate era visto de forma muito marginal até os anos 1990 e Chorão ajudou não só a popularizar o esporte como tirá-lo de uma bolha de aficionados.
Sobre a trilha sonora do filme, Novaes explica que não foi fácil fazer um recorte sobre a produção musical do biografado. “De mais de cem músicas, só foi possível colocar 13 no longa”, falou.
É de domínio público que Chorão abusava de drogas. A equipe do filme optou por não mostrar o personagem fazendo uso de substâncias ilícitas abertamente, tanto por responsabilidade como por focar na angústia que o fazia busca-las.
Um fato interessante é que José Loreto e Nanda Marques, que interpretaram o casal no filme, começaram a namorar na vida real. “Primeiro fomos de colegas de set a amigos. Depois é que o romance começou”, conta Nanda.