Arte & Agenda

Produtor festeja e desafia o cinema do Brasil

Rodrigo Teixeira anunciou ainda, na Mostra de Tiradentes, participações brasileiras no novo filme de Brian de Palma

Mesa de debate sobre a internacionalização do audiovisual brasileiro no 4º Fórum da Mostra de Cinema de Tiradentes
Mesa de debate sobre a internacionalização do audiovisual brasileiro no 4º Fórum da Mostra de Cinema de Tiradentes Foto : Marcos Santuario / Especial / CP

A mesa de debate sobre a internacionalização do audiovisual brasileiro, realizada na tarde da última terça no 4º Fórum da Mostra de Cinema de Tiradentes, firmou-se como um dos encontros mais relevantes da edição. Foi além do diagnóstico e propôs reflexões estruturais sobre o futuro do cinema nacional no mundo. Reunindo produtores, realizadores, gestores culturais e representantes do setor. A conversa colocou em perspectiva tanto o momento excepcional vivido pelo Brasil no circuito internacional quanto os riscos de tratar esse reconhecimento como um ponto de chegada. Entre análises de mercado, políticas públicas e estratégias de coprodução, o consenso foi claro: a internacionalização precisa ser pensada como política contínua e não como evento episódico. Nesse cenário, a participação de Rodrigo Teixeira foi central para conectar discurso e prática, trazendo exemplos concretos de como trajetórias sólidas se constroem ao longo do tempo. Exemplo da necessidade de articulação internacional, persistência autoral e visão de longo prazo.

Teixeira destacou que o atual prestígio do cinema brasileiro, impulsionado pelas indicações de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e pela vitória histórica de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, no Oscar 2025, é fruto de percursos consistentes, dificilmente replicáveis no curto prazo. Outros participantes da mesa reforçaram essa leitura, lembrando que festivais como Cannes, Berlim e Veneza não são vitrines ocasionais. Segundo eles são espaços ocupados por cinematografias que investem de forma contínua em formação, circulação e financiamento. O debate também abordou os impactos da paralisia institucional do setor entre 2016 e 2022. Apontado como um hiato que ainda cobra seu preço, especialmente para novas gerações de cineastas. Ao mesmo tempo, surgiram propostas de ampliação de parceria. Entre elas na América Latina, no Oriente Médio e na África, como alternativas estratégicas à competição saturada por recursos europeus. Uma forma de ampliar horizontes para coproduções e circulação internacional.

Foi nesse contexto de reflexão ampliada que Rodrigo Teixeira compartilhou uma informação que materializa, na prática, o que se discutia teoricamente à mesa. Durante o debate, o produtor revelou detalhes sobre “Sweet Vengeance” (“Doce Vingança”), novo projeto do cineasta norte-americano Brian De Palma, com filmagens previstas para acontecer em Portugal ainda em 2026. Produzido pela RT Features, empresa fundada por Teixeira, o longa começou a ser desenvolvido em 2018. Tem como base dois casos reais de assassinato, explorando a estética e a estrutura do gênero true crime. Trata-se de um território caro à filmografia de De Palma. Mais do que o retorno do cineasta a um thriller de fôlego, o projeto se destaca pela forte presença de técnicos brasileiros em posições-chave da produção.

O que Rodrigo Teixeira revelou foi a exigência de sua produtora de que, entre os nomes técnicos deveriam estar a figurinista Cláudia Kopke, que integrou a equipe do premiado “Ainda Estou Aqui”, e o diretor de fotografia Pedro Sotero, reconhecido internacionalmente por seu trabalho em “Bacurau”. A escolha desses profissionais evidencia não apenas a confiança no talento técnico brasileiro. Aponta para a inserção cada vez mais natural desses quadros em grandes produções internacionais. Ao trazer essa informação para o centro do debate, Teixeira reforçou a ideia de que a internacionalização não se resume a prêmios ou reconhecimento simbólico. Para ele, se consolida quando profissionais brasileiros passam a integrar, de forma orgânica, cadeias produtivas globais.

A mesa, assim, funcionou como um retrato lúcido do cinema brasileiro contemporâneo. Um cinema potente, respeitado e cheio de talentos, mas ainda dependente de políticas públicas consistentes, articulação internacional e tempo para que novas trajetórias amadureçam. Ao reunir vozes diversas e experiências complementares, o encontro reafirmou que o futuro do audiovisual brasileiro no mundo passa menos por momentos isolados de glória e mais pela construção paciente e coletiva de caminhos duradouros. A Mostra de Tiradentes segue até o próximo dia 31, com exibições de filmes de debates.

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