Um dos crimes de maior repercussão nos anos 1970 no Brasil, o assassinato da socialite Ângela Diniz, em dezembro de 1976, foi o foco do podcast Praia dos Ossos, lançado em 2020. O programa tornou-se um sucesso imediato, apresentando o caso a toda uma nova geração e ampliando a discussão, principalmente na questão do feminismo. Agora, a história vai ganhar uma nova roupagem, desta vez na televisão. Na próxima semana, no dia 13, estreia no serviço de streaming HBO “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, tendo como protagonista a atriz Marjorie Estiano.
Capitaneada por Elena Soarez, a equipe de roteiro da série, que também traz Pedro Perazzo e Thais Tavares, esteve em Porto Alegre nessa semana, dentro da programação do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre (Frapa) e falou sobre a adaptação de Praia dos Ossos. A começar pelo desafio de transpor para o drama um trabalho basicamente jornalístico.
"Foi um processo bem desafiador porque o podcast cobre a vida inteira da Ângela Diniz, desde que era criança. Para a série, optamos em fazer um recorte da fase adulta dela. Achávamos que era um período mais significativo para tratar os temas que queríamos discutir com a série”, explica Perazzo. Em função disso, a história começa a partir da primeira separação da protagonista, ainda em Belo Horizonte, antes de ir para o Rio de Janeiro.
A capital carioca, diga-se de passagem, tem papel essencial na trama. “É uma época em que o Rio de Janeiro está muito efervescente, é uma festa, ainda tinha a rebarba dos anos 1960 e 1970. Havia um ar de libertinagem nas ruas, as praias com todo mundo ousando um pouco mais, que é algo que está na série, porque a Ângela vinha de um lugar mais tradicional, em Belo Horizonte e chega no Rio e encontra esse cenário”, lembra Elena.
Apesar da série ter como base o Praia dos Ossos, não houve necessariamente uma participação da equipe da Rádio Novelo, responsável pelo podcast. Afora a cessão do material de pesquisa, a equipe da série teve total liberdade para fazer as escolhas narrativas que achava mais adequada. E se na produção da Rádio Novelo, grande parte da crítica social era feito diretamente pelas apresentadoras, na série a opção aposta na edição e no andamento da trama.
"Nossa escolha de colocar o tribunal (Doca Street, o assassino, foi julgado duas vezes, em 1979 e 1981) para o fim é isso. A gente apresenta a Ângela para você pegar na mão da protagonista e gostar dela. Aí quando você chega no tribunal e vê aqueles absurdos todos que estão sendo falados, esse senso crítico que vem das apresentadoras do podcast, a gente já vem construindo ao longo de cinco episódios. Para chegar ao sexto e ser um grande absurdo e a gente deixar isso claro”, explica Thais.
"Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” estreia na HBO no dia 13 e terá seis episódios. Além de Marjorie Estiano, o elenco também traz nomes como Emílio Dantas, Antônio Fagundes e Thiago Lacerda.