Não é todo dia que os fãs do cinema têm a oportunidade de conferir produções de países como Filipinas, República Dominicana e Luxemburgo. Quem dirá então da Palestina ou do Quirguistão. Para os frequentadores do Fantaspoa, no entanto, ano após ano, a rotina de descobrir filmografias pouco usuais no mercado é uma constante. E assim será mais uma vez na 22ª edição do festival, que começa oficialmente hoje e vai até 26 de abril, em Porto Alegre. Até lá, terão sido exibidas mais de 200 produções de 45 nacionalidades diferentes.
Mais do que apenas os filmes em si, uma das grandes atrações do festival é a presença dos realizadores na Capital. Este ano, por exemplo, além de cineastas dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha e Argentina, haverá sessões com a participação de diretores, produtores e roteiristas de países como África do Sul (“A Travessia”), Bolívia (“Cielo”), Hungria (“A Maldição de Styria”), Noruega (“Life At Sandy"s”), Panamá (“Cativeiro”) e Venezuela (“O Assoviador” e “A Hora Zero”). Ou seja, além assistir aos filmes, os espectadores têm a oportunidade de conversar com quem os fez logo em seguida.
Apesar do número continuar superlativo, houve leve redução no número de filmes se comparado com a edição do ano passado. O que não chega a ser uma má notícia porque viabiliza algo que o público pedia há tempos: uma terceira exibição para algumas produções. “Era algo que já estávamos tentando, principalmente depois que o CineBancários voltou para a nossa grade, viabilizar essa terceira sessão para filmes que a gente acha que vão ter mais apelo de público. A gente percebe que existe essa demanda”, afirma o diretor geral e produtor executivo João Pedro Fleck, um dos fundadores do Fantaspoa.
Em seu formato presencial, o Fantaspoa está espalhado por cinco espaços de Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, Cinemateca Capitólio, CineBancários, Instituto Ling e Sala Redenção. A parte online se concentra na segunda metade do evento, a partir de 17 de abril, quando uma seleção de curtas-metragens fica disponível de forma gratuita no serviço de streaming Darkflix+.
Clássico e estreias
Como em todas as edições, há um clássico que permeia o festival. Este ano será “Carrie - A Estranha”, dirigido por Brian De Palma em 1976. Para comemorar os 50 anos da produção, o festival terá uma exibição especial no próximo sábado, na Cinemateca Capitólio. Não será, diga-se de passagem, a única atração da noite. Isso porque será precedido pela estreia mundial do curta-metragem “Lick Me”, da diretora britânica Elizabeth Schuch. Produzido pela Fantaspoa Produções e pela Sarna Cirne Punk, o filme foi totalmente rodado em Porto Alegre, durante a edição de 2025 e tem a atriz Catharine Conte como protagonista.
Um último lembrete. Em se tratando de Fantaspoa, garantir o ingresso de forma antecipada é sempre uma boa dica. A largada do festival, hoje à noite, com sessões musicadas de “Fausto”, de 1926, no Instituto Ling, está esgotada desde semana passada.