Academia Literária Feminina do RS promove reconstrução de sede com eventos para arrecadação de fundos

Iniciativa existe há mais de 80 anos, agregando para a cena cultural de Porto Alegre e valorização da mulher na literatura

Escritoras do projeto tem em mente um futuro brilhante para o espaço
Escritoras do projeto tem em mente um futuro brilhante para o espaço Foto : Pedro Piegas

Qual foi o último livro escrito por uma mulher que você leu? Ou mais especificamente, qual foi o último livro escrito por uma mulher gaúcha que você apreciou? É fácil perceber o quanto cada espaço feminino na literatura é conquistado com muita luta. Foi com isso em mente que, em 12 de abril de 1943, a Academia Literária Feminina do Rio Grande Sul surgiu.

Por iniciativa da empreendedora Lydia Moschetti, o espaço veio para agregar a cena cultural de Porto Alegre e, mais importante ainda, promover a valorização da mulher, contestando a hegemonia masculina na literatura. Por 82 anos, a entidade promoveu e ainda promove eventos como saraus, concursos e oficinas. Além de editar revistas e livros de poesias, crônicas e ensaios. Entre as produções literárias da ALF estão: A coletânea “Vozes Femininas” (1984), “Presença Literária”, “Divórcio?” e “Autobiografia”.

Constituída no estilo francês, a academia tem 40 cadeiras, das quais algumas estão vagas. Ana Fonseca, Ariane Severo, Caren Schultz Borges e Lilian Rocha foram as últimas a assumirem uma posição, no dia 13 de março deste ano. Cada cadeira tem uma patrona, escolhida a dedo pelas fundadoras da instituição.

A atividade mais recente, e que recebe inscrições até dia 30 de junho, é o Concurso Erico Verissimo de escrita nos gêneros conto e crônica, as regras para participação estão disponíveis na página do Facebook da Academia. Os premiados serão agraciados com troféus na 71ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre – que acontece de 31 de outubro a 16 de novembro, na Praça da Alfândega. Na ocasião, pretendem lançar uma coletânea com textos de todas as integrantes atuais.

Reconstrução da sede

A pandemia foi um grande revés nas atividades da ALF. A sede, doada por uma das imortais, Noemy Valle Rocha, em 1973, foi construída na década de 20 e, como todo prédio histórico, precisa de diversas manutenções.

Desde março de 2025, Bernadete Saidelles foi empossada como nova presidente da instituição e sua prioridade foi renovar a sede, localizada na Rua Sarmento Leite, 933. Em menos de 30 dias, ela e as outras acadêmicas conseguiram arrecadar, por meio de campanhas, o suficiente para pintar a fachada e o primeiro andar, arrumar o telhado e substituir uma janela. Ela conta que o prédio “estava completamente abandonado, com muita infiltração, muitas goteiras”. Além de, claro, uma boa limpeza em todos os cômodos.

Agora, as escritoras planejam ações para movimentar o prédio e continuar as reformas. Todos os gastos e escolhas – como qual a cor da tinta da fachada – é debatido em um grupo do WhatsApp, onde são feitas enquetes para votações.

A casa, com cerca de 160 metros quadrados de área construída, tem muitos cômodos – e até um grande jardim – que podem ser usados para diferentes atividades. “Temos um palco para palestras e lançamentos de livros que não estava sendo usado, mas que agora vai começar a ser. Temos uma biblioteca que é dedicada à literatura feminina”, explica Saidelles.

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Memorial Feminino

Outra ação das acadêmicas é a organização dos livros que estavam guardados, enquanto alguns foram separados para venda em eventos, outros serão destinados para doação. Todo o trabalho é feito sob o olhar da diretora do Memorial Feminino, Teniza Spinelli, juntamente com as voluntárias, a bibliotecária Lourdes Maria Agnes e a arquivista Maria Osmari.

Em um arquivo de aço, Teniza organiza toda a história da ALF. Com documentos que vão de atas, cartas, regulamentação de concursos e livros de todas que já passaram por lá. A diretora atribui o sucesso da organização e da aquisição de materiais essenciais à secretária Zaira Cantarelli, responsável pelo sucesso das arrecadações e doações. O arquivo pode ser utilizado para pesquisas acadêmicas e, futuramente, será disponibilizado em um site.

Confira a galeria completa de registros da sede: